14 de junho de 2026

Inércia e Desespero: Ribeirinhos se arriscam no Rio Iaco para abrir canal de navegação por conta própria

Sem cronograma de desobstrução por parte das autoridades ou da empresa responsável, moradores removem balseiros sob risco iminente de novos desabamentos da estrutura da Ponte Padre Paolino.

Inércia e Desespero: Ribeirinhos se arriscam no Rio Iaco para abrir canal de navegação por conta própria

Passados nove dias desde o desabamento catastrófico da Ponte Padre Paolino em Sena Madureira — ocorrido no último dia 5 de junho —, a paciência das comunidades rurais esgotou antes da chegada do maquinário oficial. Diante do isolamento fluvial sufocante, moradores que dependem umbilicalmente do Rio Iaco para o escoamento de produção e transporte básico iniciaram, na manhã deste domingo (14), uma força-tarefa manual e de alto risco para abrir uma rota de fuga improvisada entre os escombros.

Um registro em vídeo obtido pela reportagem expõe a gravidade do cenário local: homens enfrentando a força da correnteza com ferramentas manuais para serrar e remover galhadas e balseiros densos que se acumularam na estrutura colapsada. O objetivo imediato é garantir um canal mínimo que permita o tráfego de pequenas embarcações, como canoas e baiteiras, fundamentais para o abastecimento de gêneros de primeira necessidade, alimentos e o transporte de pacientes.

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“A operação improvisada escancara o desespero de dezenas de famílias ribeirinhas, mas acende o alerta máximo de segurança. A estrutura remanescente da ponte ainda inspira sérios cuidados técnicos e o risco de novos desabamentos transforma o esforço dos moradores em uma roleta russa sobre as águas.” — Análise de risco logístico fluvial.

A cobrança da população aponta diretamente para o vácuo de respostas práticas. Até o fechamento desta matéria, nenhum órgão governamental ou a empresa encarregada pela obra da ponte apresentou um cronograma definitivo para a remoção dos destroços pesados de concreto e ferro que bloquearam o leito do rio. Enquanto o impasse burocrático se arrasta nas salas de reunião, o trabalhador rural se vê obrigado a escolher entre o prejuízo do isolamento econômico absoluto ou o perigo de um novo acidente no rio.

Por: Victor Bastos