10 de junho de 2026

Rio Branco registra quase três vezes mais chuva que o esperado para junho e Defesa Civil aponta situação inédita

Volume acumulado já alcançou a marca de 103,8 milímetros, enquanto a média histórica prevista para todo o mês é de apenas 39 milímetros na capital.

Rio Branco registra quase três vezes mais chuva que o esperado para junho e Defesa Civil aponta situação inédita

O mês de junho, tradicionalmente reconhecido pelo início do período de estiagem e pela consolidação do chamado “verão amazônico” no Acre, começou com um comportamento meteorológico completamente fora da curva em 2026. Em Rio Branco, o volume acumulado de precipitações disparou nas primeiras semanas, atingindo a expressiva marca de 103,8 milímetros. O índice representa quase o triplo da média histórica prevista para todo o período de trinta dias, estimada em aproximadamente 39 milímetros, acendendo o sinal de alerta e mudando a rotina operacional das equipes de monitoramento urbano.

Os dados estatísticos foram compilados e divulgados oficialmente pela Defesa Civil Municipal, evidenciando uma quebra drástica nos padrões hidrológicos da capital acreana. O estopim para o salto no acumulado ocorreu na última segunda-feira (8), quando os pluviômetros registraram uma tempestade torrencial de 70,2 milímetros em um intervalo de apenas 24 horas — marca que isoladamente superou toda a expectativa mensal histórica. No dia subsequente, o fluxo contínuo de chuvas intensas manteve o solo encharcado e elevou o nível de atenção nas áreas de maior vulnerabilidade social da cidade.

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“Mesmo com essa chuva, mesmo com esse volume tão grande, não tínhamos registrado ainda, no mês de junho, em toda a história, uma chuva no mesmo dia com esse volume. É inédito”, destacou o coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão.

De acordo com o balanço do órgão, a anomalia climática deste mês é o reflexo de um ano inteiramente atípico para a dinâmica ambiental da região. Apenas nos últimos meses, o Acre enfrentou três episódios consecutivos de transbordamento do Rio Acre, além de uma cheia histórica registrada em dezembro, evento extremamente raro no histórico estatístico local. Na capital, o impacto imediato das últimas chuvas resultou em pontos de alagamento urbano, transbordamento de pequenos canais e córregos, além de desmoronamentos de muros e deslizamentos superficiais de encostas em bairros populosos como a Baixada da Sobral, Vitória e Wilson Ribeiro.

Apesar do cenário de saturação hídrica, a Defesa Civil informou que o trabalho preventivo de limpeza e desobstrução de canais realizado anteriormente mitigou transtornos maiores, evitando cenários de desalojamento em massa. A avaliação técnica indica que as chuvas torrenciais devem dar uma trégua e proporcionar apenas um alívio temporário de dez dias na umidade do solo, antes que o rigor da estiagem e a seca voltem a predominar. O órgão já adiantou que os protocolos preparatórios e os encaminhamentos para as ações de contingência contra a seca severa seguem mantidos e em andamento.

Por: Victor Bastos