24 de junho de 2026

Vídeo mostra PMs em escola de SP após pai reclamar de desenho de orixá e caso gera debate

Vídeo mostra atuação de policiais em escola de São Paulo após reclamação sobre desenho de orixá.

Vídeo mostra PMs em escola de SP após pai reclamar de desenho de orixá e caso gera debate
Foto: Reprodução

A divulgação de imagens das câmeras corporais da Polícia Militar trouxe novos desdobramentos ao caso envolvendo uma escola municipal de São Paulo. O episódio ocorreu após o pai de uma aluna acionar a PM ao alegar que a filha teria participado de uma atividade relacionada a uma orixá de matriz africana.

As gravações mostram o diálogo entre policiais e a direção da EMEI Antônio Bento, localizada na zona oeste da capital paulista. Durante a conversa, a diretora da unidade explicou que a atividade fazia parte do currículo escolar voltado ao ensino da cultura afro-brasileira, previsto na legislação educacional brasileira.

- Publicidade -

Discussão ocorreu dentro da unidade escolar

Segundo as imagens, a diretora Aline Aparecida Nogueira tentou esclarecer aos policiais que o conteúdo trabalhado em sala de aula não se tratava de ensino religioso, mas de uma abordagem pedagógica sobre história e cultura afro-brasileira.

Em determinado momento, um dos policiais afirmou:

“A senhora quis impor e ditar as suas regras, ditar seu pensamento, ditar a sua ideologia.”

A fala gerou repercussão após a divulgação do vídeo e ampliou o debate sobre os limites da atuação policial em ambientes escolares.

Entenda o caso

O episódio aconteceu em novembro de 2025, quando o pai de uma criança procurou a escola para questionar uma atividade que envolvia um desenho da orixá Iansã. Posteriormente, ele acionou a Polícia Militar alegando que a filha estaria sendo obrigada a participar de aulas religiosas.

A direção da escola sustentou que a atividade estava inserida em um projeto pedagógico baseado na Lei 10.639/2003, que determina o ensino da história e cultura afro-brasileira nas instituições de ensino.

Pai foi indiciado por intolerância religiosa

As investigações conduzidas pela Polícia Civil resultaram no indiciamento do pai da aluna pelo crime de intolerância religiosa. O inquérito foi concluído e encaminhado ao Poder Judiciário para análise.

Paralelamente, a atuação dos policiais militares também passou a ser analisada pelas autoridades competentes, incluindo a Corregedoria da corporação.

Caso repercute nacionalmente

A divulgação das imagens reacendeu discussões sobre liberdade religiosa, educação antirracista e a presença de agentes armados em escolas. O episódio segue gerando manifestações de educadores, especialistas e representantes da sociedade civil.


Por Allyson Barros | 24 de junho de 2026