7 de julho de 2026

Áudios à diarista levaram polícia a suspeitar de dinheiro do PCC em imóveis de Deolane

Áudios à diarista levaram polícia a suspeitar de dinheiro do PCC em imóveis de Deolane
Áudios à diarista levaram polícia a suspeitar de dinheiro do PCC em imóveis de Deolane

Um dos trechos mais sensíveis da investigação que resultou na denúncia contra Deolane Bezerra por suposta lavagem de dinheiro envolve uma diarista e mensagens de áudio que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo, levantaram suspeitas de que valores atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC) estariam armazenados em imóveis da influenciadora e de seus familiares, de acordo com documentos consultados pelo portal LeoDias.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, “os áudios enviados a uma diarista indicam que Deolane mantinha valores pertencentes ao PCC em seus imóveis e nos imóveis de seus filhos”. A afirmação consta expressamente da peça acusatória e integra o conjunto de elementos utilizados para sustentar a tese de lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Deolane BezerraReprodução / Instagram Deolane Bezerra foi presa acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro para uma facção criminosaCrédito: Van Campos/AgNews Deolane Bezerra durante audiência de custódia virtual após a prisão no âmbito da Operação VérnixFoto: Reprodução/Polícia Penal de São Paulo Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane Deolane BezerraFoto: Reprodução/Instagram @deolane

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Segundo os investigadores, esse episódio não foi tratado como um fato isolado. Pelo contrário, passou a integrar uma das linhas de apuração da força-tarefa responsável pelo caso, que buscou identificar onde recursos supostamente ligados ao grupo criminoso poderiam estar armazenados e quem teria acesso aos locais.

A importância dada ao caso fica evidente em outro volume dos autos. No interrogatório de Giliard Vidal dos Santos, filho adotivo de Deolane, a Polícia Civil dedicou um bloco específico de perguntas ao episódio envolvendo a diarista. Os investigadores questionaram o desaparecimento de dinheiro em espécie, a divulgação de áudios, possíveis cobranças, ameaças, quem teria retirado os valores e qual teria sido a participação das pessoas envolvidas. Também procuraram esclarecer se o caso possuía relação com a investigação financeira conduzida contra o grupo.

As perguntas fazem parte de um interrogatório de 133 questões aplicado a Giliard, no qual a polícia buscou reconstruir a movimentação patrimonial e financeira dos investigados. Além do episódio da diarista, o depoimento aborda movimentações bancárias, patrimônio, empresas, veículos de luxo e dinheiro em espécie.

Suspeita de ocultação de valores
A tese apresentada pela acusação é que o caso da diarista ajudaria a contextualizar a dinâmica de ocultação de valores investigada no inquérito. No mesmo trecho da denúncia em que menciona os áudios, o Ministério Público também afirma que a investigação identificou um suposto plano de reestruturação de empresas com transferência de recursos para fundos em Dubai, apontado como parte da estratégia de lavagem de ativos investigada.

Outro ponto destacado pela Polícia Civil é que o recebimento de recursos atribuídos à investigada teria sido um dos fatores que impulsionaram o aprofundamento das apurações. Em relatório final, os delegados afirmam que Deolane foi identificada como beneficiária de valores oriundos da Lopes Lemos Transportes Ltda. e sustentam que esses repasses não decorreriam de prestação de serviços advocatícios, mas de “acertos” financeiros intermediados por Everton de Souza. Segundo o documento, foi exatamente o recebimento desses recursos que funcionou como gatilho investigativo, levando ao avanço das diligências contra a influenciadora.

Embora os áudios sejam citados como um dos fundamentos da acusação, os autos consultados pelo portal LeoDias não reproduzem o conteúdo integral das mensagens nem identificam a diarista envolvida. O processo registra a interpretação feita pelos investigadores sobre esse material, que passou a integrar a narrativa acusatória apresentada à Justiça.

Até o momento, trata-se de uma hipótese sustentada pela acusação e que será submetida ao contraditório durante a tramitação da ação penal.