10 de julho de 2026

Delegado preso guardava dinheiro de esquema milionário do Rio Metrópole, diz MP

Delegado preso guardava dinheiro de esquema milionário do Rio Metrópole, diz MP
Foto: Reprodução

O delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Franquis Dias Nepomuceno, preso durante a Operação Ouroboros, é apontado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) como um dos principais responsáveis pela logística financeira do suposto esquema de corrupção instalado no Instituto Rio Metrópole (IRM).

Segundo a denúncia, o delegado era encarregado de guardar, transportar e controlar grandes quantias de dinheiro em espécie retiradas de contratos considerados fraudulentos firmados pela autarquia estadual.

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Dinheiro era sacado logo após pagamentos

De acordo com a investigação, empresas contratadas pelo Instituto Rio Metrópole recebiam pagamentos públicos e, logo em seguida, parte dos recursos era transferida ao Instituto BIO, apontado pelo MP como uma entidade de fachada.

Na sequência, os valores eram sacados em dinheiro vivo para dificultar o rastreamento da movimentação financeira. Os investigadores afirmam que o dinheiro era levado para a empresa Rio Forte Vigilância e Segurança Privada, localizada em Jacarepaguá, onde permanecia armazenado antes de ser distribuído aos integrantes da organização criminosa.

Delegado controlava empresa do pai, afirma denúncia

Embora a Rio Forte esteja registrada em nome de Leilson de Souza Nepomuceno, pai de Franquis, o Ministério Público sustenta que o delegado exercia o controle efetivo da empresa.

Segundo a denúncia, ele frequentava constantemente o local e coordenava pessoalmente a guarda e a movimentação dos recursos em espécie.

Imagens obtidas durante as investigações mostram Franquis deixando a sede da empresa ao lado de outro homem. Nas gravações, ambos demonstram familiaridade com o imóvel, e o acompanhante aparece fechando o portão antes da saída da dupla.

Viatura da Polícia Civil teria sido usada no esquema

Outro ponto destacado pelo Ministério Público é que Franquis utilizava um veículo oficial da Polícia Civil para frequentar a empresa.

Para os promotores, o automóvel público era colocado “a serviço do esquema”, reforçando o suposto uso da estrutura estatal para facilitar a atuação da organização criminosa.

Esquema teria desviado mais de R$ 86 milhões

A Operação Ouroboros investiga um esquema que, segundo o MPRJ, desviou R$ 86,28 milhões entre julho de 2022 e maio de 2026 por meio de contratos do Instituto Rio Metrópole.

Além de Franquis Dias Nepomuceno, foram presos o presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como “Didê”, o ex-procurador do instituto Marcelo Lopes da Silva e outros servidores e empresários apontados como integrantes da organização criminosa. Os investigados foram denunciados por organização criminosa, corrupção passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e outros crimes.

Polícia Civil abrirá procedimento administrativo

Após a prisão do delegado, a Polícia Civil informou que também instaurará um procedimento administrativo disciplinar para apurar a conduta do servidor.

A corporação afirmou, em nota, que acompanha o caso e reiterou que não compactua com desvios de conduta praticados por integrantes da instituição.