10 de julho de 2026

El Niño coloca Acre em alerta para seca, calor extremo e aumento das queimadas

Estado está entre as áreas da Amazônia com maior risco de estiagem, calor intenso e avanço dos incêndios florestais.

El Niño coloca Acre em alerta para seca, calor extremo e aumento das queimadas
Foto: Reprodução

A confirmação da atuação do fenômeno El Niño acendeu um sinal de alerta para o Acre. Segundo o primeiro boletim do Painel El Niño 2026-2027, divulgado nesta quinta-feira (9) por órgãos federais de monitoramento climático, o estado está entre as áreas da Amazônia com maior probabilidade de enfrentar estiagem, temperaturas acima da média e aumento dos focos de queimadas durante o segundo semestre deste ano.

O documento informa que o fenômeno foi oficialmente confirmado em junho e que existe mais de 90% de probabilidade de permanência até o início de 2027. Os modelos climáticos também apontam alta chance de um episódio de forte intensidade, cenário que costuma provocar redução das chuvas em parte da Região Norte e aumento das temperaturas.

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Para o Acre, a previsão entre julho e setembro é de precipitações abaixo da média e calor acima do normal. De acordo com o boletim, essa combinação reduz a umidade do solo, acelera a evaporação da água e pode causar deficiência hídrica, afetando principalmente a agricultura familiar, pastagens e culturas permanentes.

Embora o Monitor de Secas indique que a Região Norte apresentou condições mais favoráveis em maio, os especialistas alertam que o comportamento típico do El Niño tende a modificar o regime de chuvas na Amazônia ao longo dos próximos meses. Em algumas áreas da região já foram registrados impactos como redução no nível de córregos e igarapés, além do aumento de focos de calor.

Acre está entre as áreas de maior risco para queimadas

O boletim também coloca o Acre entre os estados com maior vulnerabilidade para incêndios florestais durante o período mais seco do ano.

Segundo o estudo, entre julho e setembro, o estado integra a faixa considerada crítica para ocorrência de queimadas, ao lado de Rondônia, sul do Amazonas, sul do Pará e Mato Grosso.

A combinação entre estiagem prolongada, altas temperaturas e baixa umidade favorece a propagação do fogo, aumentando o número de focos de calor e exigindo reforço nas ações de prevenção e combate aos incêndios florestais.

Fenômeno pode permanecer até 2027

Os modelos climáticos utilizados pelos órgãos federais indicam que o El Niño deverá permanecer ativo pelos próximos meses, podendo influenciar diretamente o clima brasileiro até o início do próximo ano.

Diante desse cenário, especialistas recomendam acompanhamento constante das previsões meteorológicas, adoção de medidas preventivas contra queimadas e uso racional dos recursos hídricos, especialmente nas regiões mais suscetíveis aos efeitos da estiagem.