A família cobra julgamento pela morte de Juliana Chaaar Marçal um ano após a assessora jurídica do Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) morrer atropelada durante uma confusão registrada na capital acreana. Para manter o caso em evidência e pedir celeridade à Justiça, os familiares instalaram um outdoor na Avenida Getúlio Vargas, em Rio Branco.
Segundo os parentes, o objetivo da iniciativa é impedir que o caso caia no esquecimento enquanto os acusados permanecem respondendo ao processo em liberdade provisória.
O advogado Vandré Prado, primo de Juliana, afirmou que a família acredita no trabalho da Polícia Civil e do Poder Judiciário, mas considera que a demora no julgamento prolonga o sofrimento dos familiares.
“Já se passou um ano da tragédia que acometeu a nossa família e até hoje, infelizmente, os responsáveis pelo acontecido não foram a julgamento. A família confia na Justiça, mas precisa que ela seja feita”, declarou.
Ele destacou ainda que a intenção do outdoor é preservar a memória da assessora jurídica e reforçar o pedido para que o caso tenha um desfecho judicial.
“Não queremos que a Juliana seja apenas mais uma mulher vítima de violência. Queremos que os responsáveis sejam julgados”, acrescentou.
Processo aguarda decisão da Justiça
O advogado Carlos Venicius Ferreira Ribeiro Júnior, contratado pela família para atuar como assistente de acusação, informou que a audiência de instrução já foi realizada e que o processo tramita na 2ª Vara do Tribunal do Júri.
Segundo ele, a defesa da família aguarda manifestação do Ministério Público sobre o pedido de habilitação da assistência de acusação. Somente após essa etapa serão apresentadas as alegações finais, permitindo que o juiz decida se os réus irão a júri popular.
Até o momento, não há data definida para o julgamento.
A defesa também pretende solicitar medidas cautelares contra os acusados, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
“Vamos utilizar todos os recursos permitidos pela lei para garantir que os responsáveis respondam pelos crimes cometidos contra Juliana”, afirmou Carlos.
Acusados respondem em liberdade
Os dois investigados respondem ao processo em liberdade provisória.
Diego Luiz Gois Passos responde por homicídio qualificado, acusado de atropelar Juliana durante a confusão ocorrida em frente ao Dibuteco, em junho de 2025.
Já o advogado Keldheky Maia da Silva responde por duas tentativas de homicídio qualificadas e porte ilegal de arma de fogo, após, segundo a investigação, efetuar disparos durante a mesma ocorrência.
A assistência de acusação afirma discordar das decisões que concederam liberdade aos acusados e pretende atuar para que ambos sejam submetidos ao Tribunal do Júri.
Relembre o caso
Juliana Chaaar Marçal morreu na madrugada de 21 de junho de 2025, após ser atropelada durante uma confusão em frente ao bar Dibuteco, em Rio Branco.
Segundo as investigações, o episódio começou após uma discussão dentro do estabelecimento. Durante a confusão, o advogado Keldheky Maia teria efetuado disparos de arma de fogo contra dois homens. Na sequência, Diego Luiz Gois Passos teria utilizado uma caminhonete para atropelar Juliana e outro homem.
A assessora jurídica chegou a ser socorrida ao Pronto-Socorro de Rio Branco, mas não resistiu aos ferimentos.
Um ano depois, familiares seguem cobrando que o processo avance para julgamento, na expectativa de que os acusados sejam levados ao Tribunal do Júri.


