16 de julho de 2026

Governo anuncia programa de apoio após tarifaço dos EUA atingir exportações brasileiras

Executivo estima impacto de US$ 7,4 bilhões nas exportações brasileiras e prepara medidas para reduzir prejuízos às empresas.

Governo anuncia programa de apoio após tarifaço dos EUA atingir exportações brasileiras
Governo estuda aplicar Lei da Reciprocidade enquanto busca minimizar os efeitos da nova barreira comercial americana.

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (16) que lançará um programa de apoio para reduzir os impactos do novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi confirmada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) durante coletiva de imprensa, após o governo estimar que cerca de 18% das exportações brasileiras para o mercado norte-americano serão atingidas pela nova taxação.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o volume afetado corresponde a aproximadamente US$ 7,4 bilhões, considerando os dados das exportações brasileiras de 2024.

- Publicidade -

Governo estima impacto bilionário nas exportações

Durante a coletiva, o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, detalhou a projeção dos impactos provocados pela tarifa adicional de 25% anunciada pelo governo dos Estados Unidos.

De acordo com o ministro, a sobretaxa deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões em vendas externas, tomando como base os números registrados em 2024.

Segundo ele, considerando o cenário de 2025, já sob influência das tarifas anteriormente aplicadas, o percentual de produtos afetados cairia para cerca de 15%.

Alckmin anuncia programa de apoio aos setores afetados

Como resposta à medida adotada pelo governo do presidente Donald Trump, Geraldo Alckmin informou que o Executivo prepara um programa de apoio destinado aos segmentos econômicos que sofrerem prejuízos.

Segundo o vice-presidente, o objetivo é reduzir os impactos sobre empresas, trabalhadores e cadeias produtivas diretamente atingidas pela nova política comercial norte-americana.

“O governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, afirmou Alckmin.

A coletiva contou ainda com a participação dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Dario Durigan (Fazenda), João Paulo Capobianco (Meio Ambiente), do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, da secretária de Justiça, Maria Rosa Guimarães, além do ministro Márcio Elias Rosa.

Governo classifica medida como injusta

Durante a apresentação, Geraldo Alckmin voltou a criticar a decisão adotada pelos Estados Unidos.

Segundo ele, os dados da balança comercial demonstram que, ao longo dos últimos quinze anos, os Estados Unidos acumularam superávit nas relações comerciais com o Brasil, motivo pelo qual classificou a nova tarifa como “injusta e descabida”.

O vice-presidente também destacou que o governo brasileiro continua avaliando a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais.

“Nós temos uma lei aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e o governo, no momento adequado, saberá implementá-la”, afirmou.

Brasil reforça reação diplomática

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, voltou a defender a posição brasileira durante a coletiva.

Segundo o chanceler, a decisão dos Estados Unidos ocorreu porque o Brasil não aceitou as exigências apresentadas durante as negociações.

Vieira também criticou as declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que atribuiu ao governo Lula a responsabilidade pelo tarifaço.

Para o ministro brasileiro, as declarações do representante dos Estados Unidos foram “inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao governo brasileiros”.

Produtos atingidos pelo tarifaço

O governo dos Estados Unidos confirmou que a nova tarifa adicional de 25% entrará em vigor no dia 22 de julho.

Entre os produtos brasileiros que deverão sofrer a nova taxação estão:

  • Maquinário agrícola;
  • Equipamentos de mineração;
  • Ferramentas de jardinagem;
  • Componentes de borracha para veículos;
  • Calçados;
  • Vestuário;
  • Papel;
  • Etanol;
  • Açúcar orgânico;
  • Molduras de madeira;
  • Celulose de dissolução de alta pureza;
  • Produtos químicos destinados a usos não farmacêuticos.

Produtos que ficaram de fora da nova tarifa

Apesar da ampliação das barreiras comerciais, o governo norte-americano manteve uma lista de exceções para produtos considerados estratégicos para o mercado interno dos Estados Unidos.

Entre os principais itens isentos estão:

  • Café;
  • Carne bovina;
  • Peixes;
  • Laranja;
  • Açaí;
  • Terras-raras;
  • Outros produtos considerados essenciais para a cadeia de abastecimento americana.

Segundo autoridades dos EUA, a manutenção dessas exceções busca evitar aumento dos preços ao consumidor norte-americano.

Governo promete continuar negociações

Embora o tarifaço tenha sido confirmado, o governo brasileiro afirma que continuará buscando soluções diplomáticas para reduzir os impactos da medida.

Além do programa de apoio aos setores produtivos, o Executivo pretende utilizar os mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade e recorrer aos instrumentos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), reforçando a estratégia de defesa dos interesses comerciais brasileiros no cenário internacional.

Por Samoel Andrade