5 de julho de 2026

Neymar e a soberba que já não combina com a Seleção Brasileira

Neymar e a soberba que já não combina com a Seleção Brasileira
Foto: Reuters/Caean Couto

A eliminação do Brasil para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 não ficará marcada apenas pelo placar de 2 a 1. Em meio ao desespero de uma seleção incapaz de reagir, uma cena chamou atenção: Neymar, com o Brasil perdendo por 2 a 0 e praticamente eliminado, preferiu provocar o goleiro norueguês.

É difícil entender o que passa pela cabeça de um jogador experiente em um momento como esse.

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Quando o país precisava de liderança, organização e frieza, o camisa 10 escolheu o confronto desnecessário. Não mudou o jogo. Não intimidou o adversário. Apenas transmitiu a imagem de um time emocionalmente descontrolado.

No fim das contas, Neymar ainda converteu o pênalti nos acréscimos. Cobrou com categoria, como se esperava de um jogador do seu nível. Mas a pergunta continua: provocar o quê?

O Brasil estava perdendo por 2 a 0. A Noruega dominava emocionalmente a partida. O gol serviu apenas para diminuir o placar segundos antes do apito final. Não havia virada, não havia reação, não havia motivo para transformar aquele momento em uma disputa de ego.

Grandes líderes costumam falar com a bola.

Quando Cristiano Ronaldo perde, continua tentando até o último minuto. Quando Lionel Messi enfrenta dificuldades, a resposta normalmente vem com futebol. Neymar, mais uma vez, deixou a impressão de que a preocupação estava em vencer uma disputa pessoal enquanto a Copa do Mundo escapava das mãos do Brasil.

Provocar um adversário faz parte do futebol quando existe contexto. Quando o time está vencendo, quando a rivalidade aquece o jogo ou quando a provocação serve como estratégia mental.

Mas fazer isso quando seu país está sendo eliminado beira o constrangimento.

A Seleção Brasileira vive uma das fases mais difíceis de sua história recente. São mais de duas décadas sem levantar a taça da Copa do Mundo, eliminações traumáticas e um futebol cada vez mais distante do protagonismo que um dia fez o planeta temer a camisa amarela.

Nesse cenário, espera-se que o principal jogador seja o primeiro a assumir responsabilidades.

Ser camisa 10 do Brasil nunca significou apenas talento. Significou postura.

Pelé, Zico, Rivaldo, Ronaldinho e Kaká entenderam que vestir essa camisa exige mais do que habilidade técnica. Exige liderança quando tudo parece dar errado.

Neymar sempre foi um dos maiores talentos da história do futebol brasileiro. Isso é inegável.

Mas talento também exige maturidade.

A provocação ao goleiro da Noruega talvez renda alguns vídeos nas redes sociais. A eliminação, porém, ficará registrada para sempre.

E, mais uma vez, o Brasil termina uma Copa discutindo atitudes do seu principal jogador, quando deveria estar discutindo apenas futebol.

Talvez esse seja o maior símbolo da atual Seleção.

Muito protagonismo individual.

Pouco resultado coletivo.

Porque quem está sendo eliminado não tem nada para cobrar do adversário.

Tem apenas que reconhecer a derrota, aprender com ela e voltar mais forte.