O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos se pronunciou, nesta terça-feira (7/7), sobre as declarações da senadora paraguaia Celeste Amarilla contra o atacante Kylian Mbappé e classificou as ofensas como racistas. Em nota oficial, o órgão também afirmou que o episódio evidencia um problema recorrente no esporte e defendeu o enfrentamento à discriminação.
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O posicionamento foi divulgado pelo porta-voz do Escritório do Alto Comissariado, Thameen Al Kheetan, que condenou o conteúdo das publicações feitas pela parlamentar após a eliminação do Paraguai para a França nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Kyllian Mbappé marcou duas vezes na estreia da Copa do Mundo 2026.Reprodução: Instagram/@equipedefrance Mbappé comemora após marcar para a França sobre o Iraque, pela Copa do MundoReprodução/EFE/EPA/WILL OLIVER Mbappé no jogo contra o Paraguai e a senadora paraguaia, Celeste AmarillaReprodução: YouTube/CazéTV | Instagra/@celestesenadora | Montagem
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“As declarações racistas e desumanizantes dirigidas ao jogador francês Kylian Mbappé pela senadora paraguaia Celeste Amarilla são desprezíveis e, infelizmente, não constituem um caso isolado”, afirmou.
Na sequência, o representante da ONU relacionou o episódio ao cenário enfrentado por atletas em diferentes modalidades: “Esses episódios de racismo refletem um fenômeno mais amplo que afeta o futebol e, de forma mais geral, o esporte.”
Declarações ocorreram após classificação da França
As publicações de Celeste Amarilla foram feitas depois da vitória da França por 1 a 0 sobre o Paraguai, resultado que garantiu a seleção francesa nas quartas de final da Copa do Mundo. O único gol da partida foi marcado por Mbappé em cobrança de pênalti.
Em uma das mensagens, a senadora escreveu: “Burro, não aprendeu nem a escrever. Em vez de leite materno, mamava cocos, e o mais instruído que ouviu eram chimpanzés. Orlando Gill, você deveria ter mostrado o dedo para ele. Eu faço isso no Senado e não acontece nada!!!”
Em outra publicação, Amarilla voltou a direcionar críticas ao atacante francês: “Camaronês colonizado, fingindo com todas as forças ser francês, ressentido, novo-rico, prepotente e feio. Passou o jogo inteiro nervoso e morrendo de medo, assim como toda a equipe. Não conseguiram fazer nem um gol, venceram por pura sorte. A única coisa que muitos cobramos da Albirroja é que não deram um tapa de mão aberta nele depois que a partida acabou. E olha que eu nem sou fã de futebol.”
Mbappé reagiu e governo do Paraguai repudiou falas
Na segunda-feira, Mbappé respondeu às declarações da parlamentar. O capitão da seleção francesa classificou Celeste Amarilla como “desprezível” e afirmou que ela é “indigna do cargo que ocupa”.
O caso também motivou uma manifestação do governo paraguaio. Em nota oficial, o Executivo repudiou as declarações da senadora e afirmou que elas são contrárias aos “valores e princípios” defendidos pelo país.
Com o posicionamento do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, o episódio passou a integrar o debate internacional sobre o combate ao racismo e à discriminação no esporte.



