13 de julho de 2026

Polícia abre inquérito após professor muçulmano denunciar intolerância

Polícia abre inquérito após professor muçulmano denunciar intolerância
Arte/Metrópoles

Belo Horizonte – A Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para investigar denúncias de intolerância religiosa feitas pelo professor de inglês Ossama Abdulláh da Silva Souza de Medeiros, de 29 anos, contra um colégio particular de Belo Horizonte. O caso é apurado pela Delegacia Especializada de Investigação de Crimes de Racismo, Xenofobia, LGBTfobia e Intolerâncias Correlatas (Decrin).

Em nota enviada ao Metrópoles, a Polícia Civil informou que o inquérito foi instaurado após o registro da ocorrência, em abril deste ano. Segundo a corporação, a investigação segue em andamento para identificar possíveis crimes.

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Já o Ministério Público de Minas Gerais (MPGM) informou que os fatos estão sendo apurados com o acompanhamento da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos do orgão.

Entenda o caso

  • O professor denunciou um colégio particular de Belo Horizonte por suposta intolerância religiosa;
  • Ele afirma que sofreu discriminação por ser muçulmano, foi chamado de “terrorista” e acabou desligado da instituição;
  • A escola nega as acusações e diz que o contrato de experiência foi encerrado por motivos técnicos, pedagógicos e institucionais;
  • Após o registro da ocorrência, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar os fatos;
  • O caso também é acompanhado pela Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos do Ministério Público de Minas Gerais.

Em nota divulgada nas redes sociais, o professor afirmou que tem “plena confiança nas instituições públicas e no regular funcionamento da Justiça”. “Reitero que a verdade dos fatos prevalecerá à luz das provas e da lei. Em respeito ao devido processo legal, este será meu único pronunciamento público sobre o assunto, permanecendo o caso sob a apreciação das autoridades competentes”, diz o texto.

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“Terrorista”

De acordo com a coluna Na Mira, do Metrópoles, Ossama, que é muçulmano e descendente de palestinos, afirma ter sido alvo de discriminação religiosa durante o período em que trabalhou no Colégio Pégaso, unidade Kennedy, na região de Venda Nova, e que acabou desligado da instituição por esse motivo.

Segundo o professor, em fevereiro ele foi orientado por integrantes da escola a não usar roupas pretas para evitar que sua aparência fosse associada ao islamismo. Já em uma reunião realizada em 13 de abril, coordenadores teriam afirmado que “o país de onde você veio, sua raça ou origem não condizem com os princípios da escola”. A demissão foi formalizada no dia seguinte, conforme relato do docente.

O professor também afirma que era chamado de “terrorista” e comparado a Osama Bin Laden por alunos. Segundo ele, episódios de deboche ocorreram na presença de coordenadores pedagógicos, sem que houvesse qualquer intervenção da escola.

Ossama afirma que decidiu procurar a polícia e recorrer à Justiça para denunciar o caso.

Versão da escola

Em nota enviada anteriormente ao Metrópoles, o Colégio Pégaso negou que a religião tenha motivado o desligamento do professor. A instituição afirmou que não houve demissão, mas o encerramento do contrato de experiência, previsto na legislação trabalhista, por razões técnicas, pedagógicas e institucionais.

A escola também informou que, durante o período de experiência, recebeu relatos sobre fatos supostamente ocorridos no ambiente escolar, o que levou à adoção de providências administrativas e ao encaminhamento de informações às autoridades competentes. Segundo a instituição, esses procedimentos tramitam sob sigilo.


Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Thayná Schuquel.