13 de julho de 2026

Privatização da Copasa levanta dúvidas sobre tarifas, investimentos e futuro do saneamento em MG

A privatização da Copasa gera debate sobre saneamento em Minas Gerais após representantes do setor questionarem os impactos da mudança de controle da companhia.

Privatização da Copasa levanta dúvidas sobre tarifas, investimentos e futuro do saneamento em MG
Privatização da Copasa gera debate sobre tarifas e expansão do saneamento em Minas Gerais.

O processo de privatização foi concluído em junho, quando o Grupo Equatorial adquiriu 30% da Copasa e assumiu o controle da companhia. O Governo de Minas Gerais permaneceu com poderes de veto em decisões estratégicas.

Para a Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental de Minas Gerais (Abes-MG), ainda existem dúvidas sobre a forma como os investimentos serão realizados e de que maneira a privatização contribuirá para acelerar a universalização do abastecimento de água e da coleta e tratamento de esgoto.

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Segundo o presidente da entidade, Vitor Queiroz, também há preocupação com a renovação dos contratos firmados com centenas de municípios mineiros, além das metas estabelecidas para o período posterior a 2033.

Atualmente, dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa) apontam que 92% da população urbana de Minas Gerais possui acesso à água tratada, enquanto 78% contam com coleta de esgoto. Dos 636 municípios atendidos pela Copasa, apenas 309 possuem simultaneamente os serviços de abastecimento de água e tratamento de esgoto.

Outro tema debatido é o futuro da Copanor, subsidiária responsável pelo atendimento de municípios do Norte e Nordeste de Minas Gerais. Especialistas afirmam que ainda não há definição sobre a manutenção da estrutura ou eventual incorporação à Copasa.

Copasa defende privatização

A presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, afirma que estudos técnicos embasaram o processo de privatização e sustenta que o Estado não teria capacidade financeira para investir cerca de R$ 20 bilhões necessários para cumprir as metas nacionais de universalização do saneamento até 2033.

Segundo a dirigente, também foi firmado um acordo com a Associação Mineira de Municípios (AMM) e o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) para ampliar os serviços de coleta e tratamento de esgoto em 273 municípios atualmente atendidos apenas com abastecimento de água.

Sobre a Copanor, a companhia informou que realiza estudos para avaliar uma possível integração com a estrutura da Copasa, mas ressaltou que nenhuma alteração imediata será feita na prestação dos serviços aos municípios atendidos.

Enquanto isso, especialistas defendem maior transparência sobre os impactos econômicos, regulatórios e tarifários da privatização, tema que continua sendo acompanhado por entidades do setor e pelos municípios mineiros.

Por Allyson Barros