Apesar de serem microscópicos, os primeiros animais a dominarem o fundo oceânico deixaram vestígios fósseis preservados em rochas por várias partes do mundo, incluindo no Brasil.
Ao revisitar pistas de bichos de cerca de 540 milhões de anos atrás achados em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, pesquisadores descobriram que os animais que antes tinham sido descritos como organismos mais complexos, na verdade, são seres simples, como aglomerados de bactérias e macroalgas.
Segundo os cientistas, a revisão pode trazer um novo entendimento sobre como ocorreu a evolução da vida na Terra, pois o domínio dos mares por animais é um dos momentos que marcam a transição entre os períodos Pré-Cambriano e o Cambriano.
A descoberta foi liderada pelos pesquisadores Lucas Warren, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no estado de São Paulo, e Bruno Becker-Kerber, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Os resultados foram disponibilizados na revista Gondwana Research em fevereiro.
Entre no canal de WhatsApp
do Metrópoles
“O período em que o fundo dos oceanos começa a ser explorado pelos organismos que estão surgindo é o marco que define a passagem do Pré-Cambriano para o Cambriano. Então, entender o momento dessa colonização é muito importante”, destaca Warren em entrevista ao Jornal da Unesp.
O ponto de partida para a investigação foi perceber que o conjunto de amostras descrito em 2017 tinha características que não correspondiam às dos animais mais complexos. As principais distinções estavam na preservação das estruturas das células e variações no diâmetro de filamentos.
As evidências da presença dos animais foram encontradas em rochas. Os estudos anteriores diziam que os rastros eram túneis feitos pelos organismos complexos. No entanto, a análise atual afirma que, na verdade, os caminhos são os próprios corpos dos seres fossilizados. Os resultados mais recentes foram baseados em novas técnicas analíticas mais tecnológicas.
Através dos métodos, foi possível observar a espessura dos filamentos, como eram as células e a falta de atributos presentes em animais complexos. As investigações apontaram que os exemplares mais finos eram cianobactérias parecidas com as do gênero Oscillatoria e os mais grossos eram algas ou bactérias filamentosas.
Segundo Warren, com o avanço das tecnologias e a chegada de novos dados, é comum que hipóteses anteriores sejam revisitadas e reformuladas. “É uma pesquisa que ajuda a eliminar parte do ruído em torno de interpretações que acabam se consolidando por algum tempo e, ao mesmo tempo, oferece novos critérios para que outros pesquisadores avaliem materiais semelhantes que venham a encontrar”, afirma o pesquisador.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Jorge Agle.


