Desde que Arthur (Antônio Fagundes) foi assassinado em “Quem Ama Cuida”, uma parcela do público passou a apontar Pedro (Chay Suede) como um dos principais suspeitos. A teoria ganhou força por causa do passado do personagem com Adriana (Letícia Colin) e do impacto ao descobrir que ela se casaria justamente com seu tio.
Só que, olhando com atenção para o que a novela vem construindo, essa hipótese parece fazer cada vez menos sentido. Não porque Pedro seja um mocinho perfeito, mas porque suas atitudes são incompatíveis com o perfil do verdadeiro assassino.
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Desde o primeiro capítulo, a novela faz questão de apresentar Pedro como alguém movido pelas pessoas, não pelos próprios interesses. Ainda na noite do temporal, Cleber (Breno Ferreira) chegou a comentar sobre essa característica quando viu Adriana dar sua própria comida a um pedinte. É um detalhe pequeno, mas importante: o roteiro estabelece desde cedo um personagem impulsionado por causas e pelo desejo de cuidar do outro.
Esse traço nunca desapareceu. Ao longo da história, Pedro rompeu com o próprio pai quando percebeu suas atitudes questionáveis, enfrentou a família, visitou Adriana diversas vezes na prisão, tentou ajudá-la juridicamente e, mesmo depois da condenação, passou a repetir que descobriria quem matou Arthur.
É justamente aí que a teoria começa a perder força. Se Pedro fosse o assassino, faria sentido ele colocar tanta energia em uma investigação que inevitavelmente poderia levá-lo até si mesmo? Mais do que isso: por que insistiria em confrontar pessoas, levantar suspeitas e correr riscos desnecessários?
Há outro detalhe que enfraquece ainda mais essa possibilidade. Tudo indica que o crime foi cuidadosamente planejado. O assassino desligou câmeras, agiu para dificultar a investigação e preparou um cenário para que Adriana acabasse responsabilizada. Não foi uma decisão tomada em poucos segundos.
Pedro, por outro lado, sequer sabia que Adriana era a noiva de Arthur até aquele momento. Caso tivesse perdido o controle ao descobrir a verdade, seria um crime passional, fruto de um ataque de fúria provocado pelo choque da revelação.
Mas um impulso é muito diferente de uma execução meticulosamente organizada.
Além disso, o personagem não teria qualquer ganho concreto com a morte do tio. Não herdaria fortuna, não resolveria um conflito antigo e tampouco eliminaria um obstáculo previamente planejado. Pelo contrário: a morte de Arthur destruiu a vida da mulher que ele ainda ama.
É claro que novelas adoram surpreender e sempre podem recorrer a uma grande reviravolta. Mas, se isso acontecer, a trama terá um enorme desafio pela frente: convencer o público de que todas as atitudes de Pedro até aqui não passaram de uma encenação.
Hoje, a impressão é outra. A segunda fase de “Quem Ama Cuida” parece fazer justamente o contrário: desmontar, aos poucos, a principal teoria dos telespectadores e afastar Pedro da lista dos verdadeiros culpados.



