16 de julho de 2026

TCE trava contrato de R$ 9,5 milhões após apontar suspeitas de irregularidades no Acre

Tribunal aponta suspeitas de direcionamento, falhas na licitação e pagamentos milionários sem comprovação da entrega do sistema.

TCE trava contrato de R$ 9,5 milhões após apontar suspeitas de irregularidades no Acre
TCE suspende contrato de R$ 9,5 milhões por suspeitas de irregularidades no Acre.

O Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) determinou a suspensão imediata dos pagamentos restantes de um contrato de mais de R$ 9,5 milhões firmado pela Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (SEICT), após identificar fortes indícios de irregularidades na licitação e na execução do serviço. A decisão foi aprovada por unanimidade durante sessão realizada nesta quinta-feira (16).

O contrato investigado prevê o fornecimento de um Sistema de Compras Governamentais para o Estado e tem valor global de R$ 9.561.524,50.

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Durante a fiscalização, os técnicos do Tribunal apontaram uma série de problemas, entre eles possíveis restrições à concorrência, suspeita de direcionamento da licitação, falhas na pesquisa de preços, possível simulação de competitividade entre empresas e dúvidas sobre a efetiva entrega do sistema contratado.

Um dos pontos que mais chamou a atenção foi o fato de que, segundo o relatório técnico, mais de R$ 6,4 milhões — cerca de 70% do contrato — já haviam sido pagos, embora, durante diligência realizada na Secretaria, o sistema ainda não estivesse disponível para utilização pelo órgão.

Diante das suspeitas, o TCE determinou a suspensão dos pagamentos pendentes e também da validade da Ata de Registro de Preços até o julgamento definitivo do processo.

A decisão alcança ainda órgãos que aderiram à ata, como o Deracre e a Secretaria Municipal de Gestão Administrativa de Rio Branco, que deverão interromper qualquer pagamento relacionado ao contrato, sob pena de responsabilidade solidária.

Além disso, o Tribunal determinou a inclusão do atual secretário da pasta entre os responsáveis no processo, a citação dos agentes públicos e representantes das empresas envolvidas para apresentação de defesa no prazo de 15 dias e o envio do caso ao Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) para as providências que considerar cabíveis.

Apesar da gravidade dos apontamentos, o Tribunal ressaltou que a medida possui caráter cautelar, adotada para evitar possíveis prejuízos aos cofres públicos. Os investigados terão direito ao contraditório e à ampla defesa antes da decisão final.