O governo dos Estados Unidos solicitou ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que o Brasil adotasse medidas para restringir investimentos estrangeiros no setor de minerais críticos e terras raras por atores “extra-hemisféricos”, ou seja, de fora do Hemisfério Ocidental.
Sem mencionar explicitamente, segundo auxiliares brasileiros envolvidos nas negociações, o pedido teve como alvo a China.
A solicitação foi apresentada no início deste ano, durante uma das rodadas de negociação entre equipes de alto nível dos dois países sobre as relações comerciais bilaterais.
Participaram das tratativas, o representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Jamieson Greer, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, além de outros auxiliares brasileiros.
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do Metrópoles
O Brasil, no entanto, rejeitou a proposta, por considerá-la inadequada e por entender que ela interferiria em aspectos que não são de competência do governo norte-americano.
O tema foi abordado pelo chefe do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta quinta-feira (16/7), durante coletiva de imprensa sobre a tarifa de 25% imposta pelos EUA a exportações brasileiras.
“Dos minerais críticos, numa das rodadas de negociação, o que nos foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que pudessem limitar investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras, a exemplo do que eles fizeram com o Reino Unido e a Austrália. Os EUA fecharam acordos nesse sentido com esse anunciado e isso chegou a nos ser apresentado formalmente, e obviamente não aceitamos”, relatou Elias Rosa.
“E não aceitamos porque terras raras, minerais críticos, pertencem ao povo brasileiro. […] Nós não seremos aqui coniventes com nenhum político ou política de ocasião. Hoje, amanhã e sempre, o presidente Lula nos orientará nesse sentido”, completou o ministro.
Segundo ele, autoridades norte-americanas também pediram a abertura total do setor químico, a redução a zero das tarifas sobre bens industriais e maior acesso ao mercado automotivo, entre outras demandas.
Reuniões
O governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões, em níveis técnico e ministerial, com autoridades norte-americanas para tratar das tarifas propostas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Os encontros ocorreram desde o anúncio, em julho de 2025, da investigação do USTR sobre supostas práticas comerciais desleais do Brasil. Baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, a apuração foi concluída na quarta-feira (15/7) e resultou na aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros.
A disputa entre Estados Unidos e China por minerais críticos e terras raras tem se intensificado, assumindo contornos de uma “guerra” estratégica no campo econômico e tecnológico. Esses insumos colocam a China em posição dominante na cadeia global, já que o país concentra as maiores reservas e responde por grande parte da extração e, sobretudo, do refino desses materiais.
Em resposta, os EUA têm buscado reduzir a dependência em relação à China nesse setor. O Brasil é considerado estratégico nesse contexto, já que detém a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas do país asiático.
Conteúdo reproduzido originalmente em: Metropoles por Alice Groth.


