15 de julho de 2026

Análise de álcool em gel apreendido em Sena acha substância que pode provocar câncer de pele

Análise de álcool em gel apreendido em Sena acha substância que pode provocar câncer de pele

A Polícia Civil e a Vigilância Sanitária do município de Sena Madureira, no interior do Acre, receberam o resultado da análise feita em frascos de álcool em gel apreendidos na cidade no mês de abril após denúncias. A perícia achou contaminação por tolueno, substância química usada na fabricação de explosivos, tintas e na composição de gasolina.
A Vigilância Sanitária informou que a substância pode provocar câncer de pele se usada excessivamente. O produto foi apreendido em uma farmácia de Sena Madureira e era vendido para higienização das mãos. Moradores perceberam um cheiro diferente e fizeram a denúncia.
Uma equipe da Vigilância do municípioapreendeu o produto e acionou a Polícia Civil e o Ministério Público do Acre (MP-AC). Os órgãos do interior solicitaram uma fiscalização na indústria, que fica em Rio Branco. Equipes da Vigilância Estadual, do MP-AC e do Procon-AC apreenderam 200 litros de álcool na indústria para análises.
O resultado da análise feita no produto apreendido na indústria ainda não ficou pronto. Já do material encontrado em Sena Madureira saiu na terça-feira (13).
“Foi feita a análise para saber se tinha a quantidade mesmo de álcool que tem no rótulo, que diz que é álcool 70%, mas na análise foi encontrada apenas 64% e uma quantidade de água. Foi encontrada também a presença de tolueno, que é proibida pela Anvisa, produto químico e orgânico que era usado em explosivos, tintas e na gasolina”, explicou o coordenador da Vigilância Sanitária de Sena Madureira, Rodrigo Felici.
Ao G1, a supervisora de vendas da empresa, Bruna Lorhana, garantiu que foram entregues todas as documentações e laudos do fornecedor do álcool usado na fabricação dos produtos da empresa para os órgãos competentes no dia da fiscalização. Porém, a empresa só vai se responsabilizar pelo laudo da análise feita no produto que foi apreendido na fábrica, em Rio Branco.
“Não temos como nos responsabilizar porque o álcool já foi aberto, levaram para análise, mas o que vai valer é a análise do nosso produto que foi retirado de dentro da indústria. Entramos em contato com a Vigilância de Sena Madureira, com o Procon, porém, já foi informado para a gente que o que vai valer é o que foi tirado de dentro da indústria”, garantiu.
Prejudicial à saúde
Ainda segundo o coordenador da Vigilância, a substância encontrada é muito prejudicial à saúde humana, podendo causar desde irritação na pele, problemas no pulmão, nas vias aéreas, e até câncer de pele.
“É absorvido no pulmão pelas vias respiratórias e pela pele. Quando a gente abriu ele tinha um cheiro muito forte, tipo de gasolina mesmo. Daí, as vias aéreas já ardiam e surgiu a suspeita do álcool em gel. Foi feita a apreensão cautelar e agora a Vigilância vai inutilizar o produto que estava vendido”, frisou.
Felici relembrou que a empresa tem autorização para fabricar álcool em gel para uso em ambientes, mas, devido à pandemia e escassez de álcool em gel e 70%, a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 350 de 2020 autoriza que as empresas fabriquem o produto.
“Vamos fazer a apreensão definitiva do álcool em gel daqui e encaminhar para o Ministério Público e para a delegacia da cidade. Agora vai se transformar em um processo criminal. Também vou encaminhar para a Vigilância Estadual para que tome conhecimento e passe para o Ministério Público”, ressaltou.
Responsabilização
Sobre o posicionamento da empresa, o coordenador garantiu que o produto apreendido na cidade foi levado lacrado para a Polícia Civil. Segundo ele, têm os agentes da Vigilância, um promotor de Justiça criminal e o delegado da cidade como testemunhas.
“O nosso coordenador da regional falou que o que vai causar problemas para eles vai ser esse laudo daqui. Vai ser instaurado processo criminal, vão ser chamados os responsáveis que compraram e o delegado vai indicar quem mais vai ser chamado”, acrescentou.
O delegado responsável pelas investigações, Marcos Frank, disse que vai ouvir o dono da farmácia onde era vendido o produto e o dono da empresa.
“Devem responder a empresa que fabricou pela relação de consumo. O álcool não está de acordo com a especificação do rótulo e ainda tem essa substância e era vendido para assepsia das mãos”, reafirmou.

 

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Aline Nascimento do G1