17 de julho de 2026

Estiagem no Acre Revela Fósseis do Purussaurus brasiliensis no Rio Purus

Estiagem no Acre Revela Fósseis do Purussaurus brasiliensis no Rio Purus
Seca do Rio Purus revelou fóssil de purussaurus — Foto: Reprodução
Seca do Rio Purus revelou fóssil de purussaurus — Foto: Reprodução

A severa estiagem que atinge o Acre tem proporcionado novas descobertas de fósseis no Rio Purus, em Sena Madureira. Entre os achados estão vértebras do Purussaurus brasiliensis, conhecido como o “lagarto do Rio Purus”, que viveu na Amazônia há mais de 8 milhões de anos e é considerado o maior crocodilo do mundo. A mais recente escavação ocorreu entre os dias 15 e 18 de agosto, no Sítio Cajueiro, em Boca do Acre, Amazonas.

Com a baixa significativa das águas, o acesso aos barrancos expostos facilitou a retirada de ossos que estavam enterrados. Edson Guilherme, paleontólogo da Universidade Federal do Acre (Ufac), liderou a expedição e ressaltou a importância desse período seco para a pesquisa. “Tivemos a oportunidade de encontrar espécies novas para a ciência que ainda vão ser estudadas”, afirmou.

- Publicidade -

Desde 2019, pesquisadores têm explorado a área de Boca do Acre, onde fósseis da megafauna amazônica do mioceno – período que vai de 23 milhões a 5 milhões de anos atrás – têm sido encontrados em ótimo estado de preservação. Guilherme relatou a coleta de um crânio de quelônio, uma espécie de tartaruga ainda desconhecida, e de um pós-crânio de um eremotério, uma preguiça gigante que chegava a 6 metros.

Com seca na Amazônia, pesquisadores encontram pedaços da vértebra de um Purussaurus — Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Com seca na Amazônia, pesquisadores encontram pedaços da vértebra de um Purussaurus — Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

O trabalho de preparação dos fósseis envolve uma equipe dedicada. O biólogo Leonardo Aldrin explicou que, após a identificação parcial no campo, os pesquisadores limpam, colam e catalogam os materiais para garantir que todas as informações sobre o animal e sua época sejam preservadas.

A estudante Isabela Pessoa destacou a relevância do trabalho paleontológico para a compreensão da Amazônia. “Esse estudo é muito importante, pois o Sítio Cajueiro é pouco explorado e pode revelar novidades para a ciência”, afirmou.

O Purussaurus, que podia alcançar mais de 12 metros, foi o maior crocodilo já registrado. Seu primeiro fóssil foi encontrado em 1892 às margens do Rio Purus, e estudos indicam que ele era um parente distante do jacaré-açu. Com uma mordida duas vezes mais forte que a do Tiranossauro Rex, o Purussaurus precisava consumir cerca de 40 quilos de carne diariamente.

Atualmente, a Ufac abriga outro fóssil potencialmente pertencente ao Purussaurus, descoberto em 2019 por Robson Cavalcante, que tinha apenas 11 anos na época. O fóssil foi encontrado às margens do Rio Acre, em Brasileia. Em um contexto de baixa histórica dos rios, o Rio Acre atingiu 67 centímetros e o Rio Iaco, 34 centímetros, de acordo com dados recentes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema).