26 de junho de 2026

Brasil reduz emissões de gases de efeito estufa em 12% em 2023, mas desafios para a descarbonização persistem

Brasil reduz emissões de gases de efeito estufa em 12% em 2023, mas desafios para a descarbonização persistem
Ministra anunciou resultados durante coletiva em Brasília/Foto: Reprodução
Ministra anunciou resultados durante coletiva em Brasília/Foto: Reprodução

O Brasil conseguiu reduzir suas emissões de gases de efeito estufa em 12% em 2023 em comparação com o ano anterior, conforme revelou o Observatório do Clima nesta quinta-feira (7). Em 2023, o país emitiu 2,3 bilhões de toneladas de gases, contra 2,6 bilhões no ano de 2022, marcando a maior queda percentual desde 2009.

A principal razão para essa redução foi a diminuição do desmatamento na Amazônia, que registrou uma queda de 37%, passando de 1,074 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente para 687 milhões de toneladas. No entanto, a devastação de outros biomas, como o Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica, gerou um aumento nas emissões, totalizando 1,04 bilhão de toneladas de GtCO2e.

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David Tsai, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), afirmou que a redução das emissões é um bom sinal, mas ainda reflete a dependência do Brasil da Amazônia para atingir suas metas climáticas. “A queda nas emissões em 2023 é uma boa notícia e coloca o Brasil na direção certa para cumprir sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), mas ainda estamos excessivamente dependentes do que acontece na Amazônia”, destacou.

Enquanto as emissões por desmatamento na Amazônia diminuíram, o desmatamento e queimadas em outros biomas aumentaram, com destaque para o Pantanal, que teve um aumento de 86%. A pesquisadora Bárbara Zimbres, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), alertou para o “vazamento” de desmatamento para outras regiões, uma situação que precisa ser resolvida urgentemente para que o Brasil alcance suas metas de mitigação climática.

No que diz respeito ao uso da terra, que responde por 46% das emissões totais do país, a agropecuária continua sendo um grande desafio, com aumento de 2,2% nas emissões relacionadas ao setor. A maior parte das emissões vem da fermentação entérica do rebanho bovino, destacando o papel do setor na emissão de metano.

Os setores de resíduos e energia também registraram aumentos nas emissões, de 1% e 1,1%, respectivamente. No setor energético, o aumento do consumo de combustíveis fósseis, como óleo diesel e gasolina, foi o principal responsável pela elevação nas emissões de CO2.

Embora as emissões de queimadas de pasto e vegetação nativa tenham caído, o Observatório do Clima alerta que essas emissões, apesar de não entrarem no inventário nacional, têm se tornado cada vez mais significativas diante da crescente ameaça de incêndios devido à mudança climática.

O Brasil ainda enfrenta grandes desafios para reduzir suas emissões de forma consistente, especialmente em setores como a agropecuária e a proteção de outros biomas além da Amazônia. O foco agora será construir um plano de descarbonização que envolva uma transformação econômica mais ampla, com ações concretas para reduzir as emissões em todas as áreas.