14 de julho de 2026

Funai monitora conflitos entre povos indígenas no Acre após invasão de território por grupo isolado

Funai monitora conflitos entre povos indígenas no Acre após invasão de território por grupo isolado
Rastros deixados pelos isolados na areia da praia do rio Iaco, que fica próxima a aldeia Extrema/Foto: Junior Manxineru
Rastros deixados pelos isolados na areia da praia do rio Iaco, que fica próxima a aldeia Extrema/Foto: Junior Manxineru

A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) emitiu uma nota sobre a situação envolvendo povos indígenas isolados no Acre, especialmente os conhecidos como Mashco-Piro, que recentemente invadiram a aldeia Extrema, localizada na Terra Indígena (TI) Mamoadate, entre os municípios de Sena Madureira e Assis Brasil.

A Funai informou que foi prontamente notificada sobre a aproximação do grupo isolado e, desde então, iniciou uma série de medidas, incluindo diálogo com a comunidade e articulação com outras entidades administrativas.

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Em comunicado, a Funai reiterou seu compromisso com a proteção dos povos indígenas e esclareceu que continua presente na região, oferecendo suporte tanto aos indígenas Manchineri quanto ao grupo isolado Mashco-Piro. “A Funai reafirma o seu compromisso com a promoção e proteção dos povos indígenas e informa que segue presente no território prestando assistência aos indígenas Manchineri e aos Mashco-Piro, respeitando a política de não contato adotada pelo Estado brasileiro com relação aos indígenas em isolamento voluntário”, disse a instituição.

A Funai também declarou que não há registro recente de conflitos diretos entre as etnias, embora a presença do grupo isolado esteja sendo monitorada de perto por meio da Unidade Etnoambiental, localizada na aldeia Extrema, e pela Frente de Proteção Etnoambiental Envira, da Coordenação Regional do Alto Purus, que atuam na proteção e vigilância da área.

Entenda o caso

O grupo Mashco-Piro, considerado o maior povo isolado do mundo, teria saqueado a aldeia Extrema em 31 de outubro. Lucas Manxineru, líder da aldeia e presidente da Associação Manxinerune Ptohi Phunputuru Poktshi Hajene (MAPPHA), relatou os acontecimentos e as ações de vigilância após o incidente.

“Eles vieram e voltaram pelo mesmo caminho. Esse aparecimento está acontecendo, e a equipe de monitoramento e vigilância foi ao local para fazer a verificação. Estava sem ninguém na casa; se eles estivessem lá, teriam visto os [isolados] por completo”, afirmou Lucas.

A situação é ainda mais delicada após o registro de um incidente em setembro, quando dois trabalhadores de madeireiras foram mortos em território dos Mashco-Piro, já em território peruano. A Funai permanece atenta ao caso e reforça as medidas para evitar novos conflitos na região, mantendo a política de não contato com grupos isolados.