17 de julho de 2026

Após denúncia de condições precárias em curso para professores indígenas, governo do Acre afirma ter solucionado problemas

Após denúncia de condições precárias em curso para professores indígenas, governo do Acre afirma ter solucionado problemas
Foto: Comissão Pró-Indígenas do Acre/cedida.
Foto: Comissão Pró-Indígenas do Acre.

Associações culturais e indígenas, juntamente com organizações e comitês de apoio aos povos originários, emitiram uma nota de repúdio nesta quarta-feira (22) denunciando as condições precárias enfrentadas por professores indígenas participantes do Curso de Ensino Médio Magistério Intercultural promovido pela Secretaria de Estado de Educação e Cultura do Acre (SEE). Segundo a denúncia, os docentes foram recebidos na Escola Estadual Rural Família Agrícola Jean Pierre Mingam, em Acrelândia, com alimentação ultraprocessada e instalações inadequadas, incluindo sujeira, goteiras e camas quebradas.

A SEE afirmou, em resposta, que os problemas foram solucionados com a transferência do curso para o Colégio Estadual Barão do Rio Branco, na capital, Rio Branco, e a acomodação dos participantes em hotéis. “Reafirmamos nosso compromisso em promover um ambiente adequado para o desenvolvimento das ações e estamos à disposição para corrigir quaisquer falhas e assegurar a qualidade do atendimento aos profissionais da nossa rede de ensino”, declarou o secretário Aberson Carvalho, em nota oficial.

- Publicidade -

De acordo com a nota emitida pelas organizações indígenas e sociedade civil, os professores foram direcionados à escola rural no quilômetro 5 do Ramal Progresso, onde enfrentaram alojamentos inadequados e alimentação pouco saudável. “A formação deveria ser um marco importante na retomada da educação escolar indígena no Acre, mas constatamos condições desrespeitosas, como camas quebradas, goteiras nos quartos e sujeira ao redor das instalações. A alimentação, composta por produtos ultraprocessados, contraria práticas alimentares saudáveis e sustentáveis”, destacou o documento.

As organizações também apontaram que essa situação reflete uma precarização mais ampla da Educação Escolar Indígena no estado, citando a falta de infraestrutura adequada, materiais pedagógicos e alimentação regionalizada em muitas escolas. Além disso, afirmaram que, nos últimos anos, a SEE tem demonstrado falta de diálogo com as comunidades indígenas, dificultando a criação de políticas públicas efetivas.

As entidades que assinam a nota exigem:

  1. Condições dignas e adequadas para professores indígenas em formação.
  2. Planejamento e execução de políticas públicas que respeitem os direitos educacionais dos povos indígenas.
  3. Diálogo efetivo entre a SEE e as organizações indígenas.
  4. Investimentos em infraestrutura escolar e na qualidade da educação para as comunidades indígenas.

“A formação de professores indígenas não é um favor, mas uma obrigação do Estado, garantida pela Constituição Federal e por tratados internacionais”, reforçou o texto, assinado por mais de 20 organizações indígenas e sociais.

Resposta da Secretaria de Educação

Em sua nota, o secretário Aberson Carvalho informou que, após a visita técnica e a avaliação das condições da escola em Acrelândia, o curso foi transferido para Rio Branco. Os professores estão agora acomodados em hotéis, e as atividades estão sendo realizadas no Colégio Estadual Barão do Rio Branco.

A Secretaria reafirmou seu compromisso em corrigir eventuais falhas e assegurar a qualidade da formação, mas para as organizações indígenas, a situação vai além das medidas pontuais. “O descaso com a educação indígena continua. A precariedade exposta é reflexo de uma política que não prioriza os direitos das comunidades indígenas”, afirmou a Comissão Pró-Indígenas do Acre.

A polêmica reforça o alerta sobre a urgência de ações estruturantes para garantir o direito à educação de qualidade para os povos originários no Acre.