11 de julho de 2026

Brasil recusa classificar facções criminosas como terroristas em reunião com EUA

Brasil recusa classificar facções criminosas como terroristas em reunião com EUA
• Geraldo Magela/Agência Senado

Técnicos do Ministério da Justiça e Segurança Pública informaram nesta terça-feira (6) a uma comitiva enviada pelos Estados Unidos que o Brasil trata o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como facções criminosas, não como grupos terroristas. O encontro fez parte da visita de enviados do governo Trump a Brasília para discutir cooperação internacional no combate ao crime organizado.

Na reunião, participaram sete especialistas brasileiros e sete representantes norte-americanos. Os americanos defenderam que, na visão deles, facções transnacionais que espalham medo e violência se encaixam na definição de terrorismo, e citaram diretamente o PCC e o CV. Já o governo Lula explicou que, segundo a lei brasileira, essas organizações têm motivação econômica — voltada ao tráfico de drogas e armas — e não perseguem objetivos políticos ou ideológicos, critérios que definem o terrorismo no Brasil.

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Os técnicos do MJSP também esclareceram que, para ser considerada terrorista, uma ação precisa envolver ódio religioso, político ou racial, ou atacar civis para impor uma crença. No caso das facções, o foco é o lucro fácil por meio de extorsão, sequestro e venda de substâncias ilícitas.

Na segunda (5), os enviados dos EUA receberam um “dossiê” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), elaborado pelos governos do Rio de Janeiro e de São Paulo. O documento tenta relacionar o PCC e o CV a grupos terroristas estrangeiros, apontando supostos laços com o Hezbollah, o que, para o Brasil, ainda não tem base legal ou comprovação de atuação conjunta.

Outra pauta levantada pelos americanos foi a imigração, tema sensível para a administração Trump. Eles querem discutir como dificultar a entrada de imigrantes irregulares que, segundo eles, poderiam se aproveitar das rotas de traficantes que atuam no Brasil e em outros países da América Latina.

Por enquanto, não há previsão de um acordo formal sobre o tema terrorismo. O governo brasileiro mantém a posição de classificar as facções como organizações criminosas e reforça que seguirá usando instrumentos legais nacionais — como operações policiais e bloqueio de bens — para enfrentá-las. A expectativa é que o diálogo continue nos próximos encontros de cooperação bilateral.

Via CNN Brasil.