9 de julho de 2026

Para cientista político, pesquisa Quaest revela embate orçamentário com Lula

Para cientista político, pesquisa Quaest revela embate orçamentário com Lula
Para cientista político, pesquisa Quaest revela embate orçamentário com Lula

Uma pesquisa divulgada na última quarta-feira (2/7) pela Quaest indica que a maioria dos deputados federais enxerga uma distância entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Segundo o levantamento, 69% dos parlamentares acreditam que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dedica menos atenção ao Legislativo do que deveria.

Foram ouvidos 203 deputados entre os dias 7 de maio e 30 de junho, em entrevistas presenciais e online. A margem de erro é de 4,5 pontos percentuais, para mais ou para menos. Apenas 22% disseram que o governo dá a devida atenção ao Congresso, enquanto 3% acham que há atenção em excesso. Outros 6% não souberam ou preferiram não responder.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Lula durante reunião anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB)Reprodução: YouTube/Canal Gov Lula fez discurso contundente e altamente crítico nesta terça-feira (1º/07) durante lançamento do Plano SafraReprodução: YouTube/Canal Gov Presidente Lula durante discurso ironizou interrogatório de Bolsonaro no STFReprodução: Canal Gov LulaReprodução: YouTube/Canal Gov Presidente Luiz Inácio Lula da SilvaReprodução

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Em entrevista ao Portal LeoDias, o cientista político Filipe Faeti analisa que os dados da Quaest refletem um cenário maior de tensão institucional e desequilíbrio entre os Poderes da República. “Há um claro conflito, não apenas entre Legislativo e Executivo, mas também com o Judiciário. Os freios e contrapesos nunca estiveram tão desbalanceados”, aponta.

Segundo Faeti, o resultado da pesquisa expõe mais do que uma simples insatisfação: “É o retrato de uma animosidade crescente. O governo tem um índice de aprovação de pautas no Congresso que só perde para o da ex-presidente Dilma Rousseff. Isso evidencia a fragilidade da base aliada e a resistência parlamentar à agenda do Executivo.”

Para o especialista, essa resistência se conecta diretamente à disputa orçamentária. “O Legislativo ganhou protagonismo sobre o orçamento. Enquanto o governo tenta reorganizar a arrecadação, como no caso do IOF, os parlamentares impõem barreiras e, ao mesmo tempo, exigem mais emendas parlamentares”, explica.

Faeti destaca ainda que essa dinâmica se agrava com a aproximação das eleições de 2026. “Muitos desses parlamentares são de oposição e já sinalizam que o governo Lula terá que investir pesado em articulação política e liberação de recursos para conseguir aprovar qualquer proposta relevante daqui em diante.”