23 de junho de 2026

R$ 900 por voto: Três candidatas em Manoel Urbano que somaram apenas “26 votos” gastaram mais de R$ 23 mil em dinheiro público, revela sentença

R$ 900 por voto: Três candidatas em Manoel Urbano que somaram apenas “26 votos” gastaram mais de R$ 23 mil em dinheiro público, revela sentença

Um dos trechos mais chocantes da sentença da Justiça Eleitoral que cassou a chapa proporcional do partido Republicanos em Manoel Urbano revela o uso escandaloso de recursos públicos em candidaturas consideradas fictícias. Três mulheres registradas apenas para cumprir a cota de gênero movimentaram, juntas, R$ 23.500,00 do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) e obtiveram apenas 26 votos no total — uma média de R$ 904 por voto.

Segundo o juiz Eder Jacoboski Viegas, a desproporção entre o volume de recursos públicos utilizados e os resultados obtidos nas urnas é estatisticamente incompatível com qualquer campanha eleitoral real, especialmente em municípios de pequeno porte como Manoel Urbano. A sentença destaca ainda que não há qualquer prova de atos efetivos de campanha, como participação em eventos, material gráfico distribuído ou sequer publicações em redes sociais.

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As prestações de contas das candidatas Antonia Amaro de Oliveira, Sandra Cristina dos Santos e Maria Zenilda Soares Vieira apresentaram padrões similares e inconsistências graves, como gastos com combustível sem comprovação de veículos, pagamentos genéricos a pessoas e uso dos recursos sem demonstração de como foram aplicados na promoção das candidaturas.

Essas candidaturas foram meramente formais, servindo apenas como fachada para viabilizar a participação do partido no pleito”, diz a sentença. O juiz ainda enfatiza que o uso do fundo eleitoral em candidaturas fictícias configura desvio de finalidade e lesão ao patrimônio público, violando os princípios da moralidade e da igualdade de oportunidades no processo eleitoral.

O caso escancara uma prática cada vez mais combatida pela Justiça Eleitoral: a instrumentalização de mulheres em chapas apenas para cumprir a lei da cota de gênero — e, ainda mais grave, utilizando recursos públicos sem qualquer retorno democrático.