9 de julho de 2026

Líder do PT pede ao STF que proíba Eduardo Bolsonaro de assumir cargos públicos

Líder do PT pede ao STF que proíba Eduardo Bolsonaro de assumir cargos públicos
Líder do PT pede ao STF que proíba Eduardo Bolsonaro de assumir cargos públicos

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT/RJ), protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que o ministro Alexandre de Moraes proíba preventivamente a nomeação de Eduardo Bolsonaro (PL/SP) para qualquer cargo comissionado nas esferas estadual, distrital ou municipal; além de seu afastamento cautelar do mandato de deputado federal. A medida pretende impedir o que o parlamentar petista considera uma estratégia para burlar as restrições judiciais já impostas ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O documento cita reportagens de portais jornalísticos que noticiaram que governadores aliados do bolsonarismo, como Cláudio Castro (PL/RJ), Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP) e Jorginho Mello (PL/SC), estariam articulando a nomeação de Eduardo para cargos estaduais a fim de garantir sustentação financeira, manutenção de vínculo funcional e justificar sua permanência no exterior, mesmo após o fim de sua licença parlamentar e o bloqueio de bens ordenado pelo STF.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Deputado Lindbergh Farias (PT/RJ)Foto: Vinícius Schmidt/Metrópoles Alexandre de Moraes posa para revista americana “The New Yorker”Reprodução: Instagram Eduardo Bolsonaro rebate membro do PL contrário a anistiaReprodução: Câmara dos Deputados Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, concede entrevista ao portal LeoDiasReprodução: Portal LeoDias Governador de São Paulo, Tarcísio de FreitasFoto: Ciete Silvério/Governo do Estado de São Paulo Governador Jorginho Mello, de Santa CatarinaReprodução: Redes Sociais

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Na petição, Lindbergh argumenta que a eventual nomeação serviria para instrumentalizar cargos públicos com o objetivo de obstruir a Justiça, fraudar a jurisdição penal e manter Eduardo fora do alcance do sistema judicial brasileiro, inclusive em meio ao andamento do Inquérito 4995, que investiga possíveis atos antidemocráticos e de desestabilização institucional promovidos por aliados do ex-presidente.

“A criação de um vínculo administrativo fictício em outro ente federado busca legitimar essa ausência [de Eduardo Bolsonaro do país] de forma fraudulenta”, afirma o texto protocolado no STF.

A petição menciona ainda a atuação de Eduardo nos Estados Unidos, onde ele teria participado de encontros com lideranças estrangeiras ao lado de Paulo Figueiredo, promovendo discursos e ações hostis às instituições brasileiras e apoiando sanções econômicas contra o Brasil, como o chamado “tarifaço” imposto pelo governo dos EUA. Segundo Lindbergh, trata-se de uma conduta “antinacional e antipatriótica”, potencialmente financiada com recursos públicos, o que agravaria o quadro.

Além da vedação à nomeação, o líder do PT solicita que governadores sejam formalmente impedidos de designar Eduardo Bolsonaro a qualquer função pública e que a Advocacia-Geral da União (AGU), o Ministério Público Federal (MPF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) sejam oficiados para apurar eventuais responsabilidades políticas e criminais.

A iniciativa acontece no mesmo momento em que a pressão sobre Eduardo Bolsonaro aumenta, devido às investigações do STF e à falta de definição da Câmara dos Deputados sobre os pedidos de cassação de seu mandato. O deputado está licenciado do cargo e mora atualmente nos Estados Unidos, país onde teria recebido do pai um Pix de R$ 2 milhões, conforme admitido pelo próprio Jair Bolsonaro à Polícia Federal, valor que estaria sendo usado para manter sua estadia e atuação política.

Lindbergh argumenta que, mesmo que a nomeação de Eduardo ainda não tenha se concretizado, o risco de lesão ao interesse público e ao Estado de Direito justifica a ação preventiva do Judiciário. Para o petista, trata-se de um caso de “desvio de finalidade”, em que estruturas estaduais estariam sendo utilizadas para blindar um agente político investigado por atentado à soberania nacional.

Até o momento, Eduardo Bolsonaro não se manifestou sobre o pedido apresentado ao STF. Também não houve pronunciamento oficial dos governadores Cláudio Castro e Tarcísio de Freitas, procurados pelo portal LeoDias, até a publicação desta matéria. Já a assessoria de imprensa do governador Jorginho Mello afirmou que “não há conversas neste sentido” por parte do governo estadual catarinense. O caso agora está sob análise do ministro Alexandre de Moraes, relator do Inquérito 4995, que trata da suposta trama golpista envolvendo Jair Bolsonaro e seus aliados.