9 de julho de 2026

Câmara deve votar nesta quarta projeto contra adultização de crianças nas redes

Câmara deve votar nesta quarta projeto contra adultização de crianças nas redes
Câmara deve votar nesta quarta projeto contra adultização de crianças nas redes

A Câmara dos Deputados deve analisar nesta quarta-feira (20/8) uma proposta que pretende criar mecanismos de proteção a crianças e adolescentes no ambiente digital. O projeto, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), já passou pelo Senado e agora segue para a avaliação dos deputados.

A medida busca responsabilizar empresas de tecnologia por eventuais danos sofridos por menores em suas plataformas, introduzindo o chamado “dever de cuidado”. A regra obriga as companhias a adotarem práticas que impeçam a exposição a conteúdos prejudiciais e garante a responsabilização em caso de omissão.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Câmara deve votar nesta quarta projeto contra adultização de crianças e adolescentes nas redesFoto: Pixabay Câmara dos DeputadosFoto: Pedro Ladeira Plenário da Câmara dos DeputadosFoto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

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O que muda com o projeto
Se aprovado, o texto vai obrigar redes sociais, sites e aplicativos acessados por menores a criarem filtros contra conteúdos relacionados a exploração sexual, violência, assédio, incentivo à automutilação, drogas, jogos de azar, publicidade enganosa, além de práticas que possam comprometer a saúde mental de crianças e adolescentes.

Entre as medidas previstas estão:

retirada imediata de conteúdos de abuso sexual infantil após notificação, mesmo sem ordem judicial;

ferramentas de verificação de idade para impedir o acesso de menores a sites pornográficos;

proibição da criação de perfis comportamentais de crianças e adolescentes para fins comerciais;

veto à venda de “loot boxes” em jogos voltados ao público infantojuvenil;

obrigatoriedade de vincular perfis de menores às contas de seus responsáveis.

Regras de controle parental
Outro ponto central da proposta é a exigência de que os serviços digitais disponibilizem, por padrão, ferramentas de controle parental. Essas funções deverão restringir contatos indesejados, limitar tempo de uso, impedir a coleta de dados pessoais, controlar recomendações de conteúdo, bloquear o compartilhamento de geolocalização e supervisionar o uso de recursos de inteligência artificial que não sejam indispensáveis.

Penalidades para descumprimento
Empresas que não cumprirem as determinações estarão sujeitas a sanções que vão de advertência e multas que podem chegar a R$ 50 milhões por infração, até a suspensão temporária ou definitiva das atividades no país. Os valores arrecadados serão destinados ao Fundo Nacional para a Criança e o Adolescente.

Polêmica sobre liberdade de expressão
Na véspera, os deputados aprovaram regime de urgência para acelerar a votação. A decisão, tomada em votação simbólica, gerou críticas da oposição, que solicitou o registro nominal apenas depois da aprovação. O ponto mais questionado pelos parlamentares contrários é a expressão “acesso provável”, usada no texto para definir serviços que devem se adequar à lei.

“Temos que nos posicionar contra a adultização, mas há um problema que precisa ser resolvido para que não percamos nossa liberdade de expressão”, afirmou o deputado Eli Borges (PL-TO).

Caso recente reforça debate
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou que a proposta será “o principal tema da semana” e convocou uma comissão geral para esta quarta-feira a fim de debater a iniciativa.

A discussão ganhou ainda mais repercussão após a prisão do influenciador Hytalo Santos, investigado por exploração e exposição de menores em vídeos publicados nas redes sociais. A denúncia foi feita por outro influenciador, Felca, no último dia 9.