21 janeiro 2026

Ministério da Saúde passa a recomendar mamografia a partir dos 40 anos

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O governo federal anunciou nesta terça-feira (23/9) mudanças importantes nas diretrizes de prevenção e diagnóstico do câncer de mama no Sistema Único de Saúde (SUS). A principal novidade é que mulheres entre 40 e 49 anos poderão realizar a mamografia mesmo sem apresentar sintomas, desde que decidam junto ao médico responsável. Pela primeira vez, esse grupo terá o exame garantido “sob demanda”.

De acordo com o Ministério, a atualização responde ao aumento de casos em faixas etárias mais jovens e à necessidade de facilitar o diagnóstico precoce. Antes, o rastreamento era priorizado apenas para mulheres de 50 a 69 anos.

Veja as fotosAbrir em tela cheia MamografiaFoto: José Cruz/Agência Brasil Médica analisando um exame de mamografiaFoto: Rodrigo Nunes/MS Exame de mamografiaFoto: Reprodução

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O diretor do Departamento de Atenção ao Câncer da pasta, José Barreto, destacou que a decisão revoga barreiras antigas que limitavam o acesso ao exame. “Nosso compromisso é consolidar a maior rede de prevenção de câncer do mundo”, declarou.

Como funcionará o rastreamento
O novo protocolo estabelece três faixas de acompanhamento:

Dos 40 aos 49 anos: a mulher terá direito ao exame, sem obrigatoriedade de repetição periódica.

Dos 50 aos 74 anos: rastreamento a cada dois anos, como política populacional.

Acima dos 74 anos: a decisão dependerá de condições clínicas e expectativa de vida.

Segundo Barreto, a ampliação até os 74 anos é um “chamamento” para que mais brasileiras mantenham o acompanhamento regular.

Relevância do exame
A mamografia continua sendo considerada o recurso mais eficaz para detectar alterações suspeitas antes do aparecimento de sintomas. Quando um nódulo é identificado, o próximo passo pode ser a realização de biópsia.

A Sociedade Brasileira de Mastologia já defendia a realização anual a partir dos 40 anos. Em 2024, mais de 30% das mamografias feitas no SUS foram em pacientes abaixo dos 50 anos, o que reforça a demanda reprimida para essa faixa etária.

Atendimento móvel e estrutura
O secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales, lembrou que a medida integra uma estratégia nacional mais ampla. Ele ressaltou a importância das carretas da saúde, que já começaram a circular em diferentes regiões. Em outubro, 27 unidades móveis estarão em 22 estados oferecendo desde consultas até exames como mamografia e biópsia.

“Precisamos avançar muito. Cerca de 37% dos diagnósticos de câncer de mama no Brasil já acontecem em estágios 4 ou 5”, alertou Sales.

Além disso, a pasta lançará um manual voltado à detecção precoce e destinará R$ 100 milhões, em parceria com o CNPq, a pesquisas sobre câncer de mama, colo do útero e colorretal.

Novos medicamentos no SUS
As mudanças vêm acompanhadas de inovações terapêuticas. Pela primeira vez, o SUS contará com um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas específico para câncer de mama. Entre as novas drogas estão:

Inibidores de CDK 4/6, que atuam bloqueando proteínas envolvidas na multiplicação celular.

Trastuzumab entansina, um medicamento que combina anticorpo com quimioterapia, direcionando a substância diretamente às células tumorais, como uma “bala guiada”.

Supressão ovariana medicamentosa e hormonioterapia parenteral, utilizadas para reduzir a produção de estrogênio.

Fatores estimuladores de colônia, que aumentam a imunidade durante quimioterapias intensas.

Expansão da neoadjuvância, que agora também será indicada para estágios iniciais, permitindo reduzir o tumor antes da cirurgia.

Expectativa com as mudanças
O câncer de mama continua sendo o tumor mais comum entre mulheres no Brasil, com milhares de novos casos registrados anualmente. Especialistas lembram que identificar a doença em fases iniciais amplia as chances de cura e melhora a qualidade de vida das pacientes.

O Ministério da Saúde espera que, com a ampliação do rastreamento, a incorporação de novas tecnologias e o acesso a terapias inovadoras, o país reduza a proporção de diagnósticos tardios e alinhe a política pública ao que já é praticado por sociedades médicas e outros sistemas de saúde ao redor do mundo.

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