O breve encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump nos bastidores da Assembleia Geral da ONU chamou atenção de especialistas em política internacional. Fernando Hessel, jornalista e observador na Casa Branca, detalhou ao portal LeoDias que, mesmo com duração de poucos segundos, o contato possui um significado político e diplomático relevante.
“Quem ganha com esse tipo de diálogo não é um partido ou grupo específico, mas o país como um todo. Se o Brasil consegue ter interlocução direta, sem intermediários, com os Estados Unidos, isso pode abrir caminho para negociações mais pragmáticas em comércio, investimentos, tecnologia e cooperação bilateral”, afirmou Hessel.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Donald Trump assistindo Lula discursar na ONUDivulgação: ONU Pesquisa Ipsos-Ipec revela divisão dos brasileiros sobre retaliação a tarifa de 50% dos EUAReprodução / Jose Cruz/ Agência Brasil Lula diz que Trump foi enganado por Bolsonaro e acusa ex-presidente de trair o paísReprodução/Canal Gov Donald TrumpReprodução: Instagram Lula e Donald TrumpReprodução / Canal Gov e CNN
Voltar
Próximo
Leia Também
Política
Confira a íntegra do discurso de Lula na ONU
Política
Dólar cai ao menor valor do ano após fala de Trump sobre Lula na ONU
Política
Lula celebra aproximação com Trump: “Fiquei feliz quando disse que pintou uma boa química”
O especialista ressaltou que os elogios de Trump a Lula durante o discurso da ONU não devem ser vistos como blefe ou tentativa de constrangimento. “Donald Trump é extremamente pragmático e direto. Não haveria necessidade de elogiar um chefe de Estado apenas para montar uma emboscada. Esse tipo de cálculo não faz parte do estilo dele”, disse.
Hessel também destacou que, dentro da Casa Branca, há assessores tradicionais que desaprovam qualquer gesto de reaproximação com o Brasil por razões ideológicas, devido à percepção do presidente brasileiro como líder de esquerda. “Por outro lado, Trump tem perfil de empresário e negociador. O espírito comercial e a necessidade de fazer relacionamento prevalecem sobre a disputa ideológica e explicam a disposição dele em manter diálogo direto e pragmático com o Brasil”, explicou.
O jornalista enfatizou que a política externa deve ser vista de forma estratégica e não partidária. “Toda vez que a política externa se polariza, perde-se de vista o que é estratégico para a nação. Qualquer política que prejudique a economia nacional acaba prejudicando todos, não apenas quem defende este ou aquele partido”, avaliou.
Para Hessel, a aproximação entre Brasil e EUA se baseia em mais de dois séculos de relações comerciais e diplomáticas. Ele explicou que é comum o presidente brasileiro começar com uma conversa por telefone antes de um encontro presencial. “Não é medo, é estratégia. Assim, Lula consegue proteger a imagem do país e garantir que a primeira conversa com Trump seja segura e organizada, sem surpresas desagradáveis”, disse.


