Na última terça-feira (30/9), em coletiva de imprensa em Brasília, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, determinou que profissionais de saúde em todo o Brasil notifiquem ao Centro Nacional de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS) qualquer suspeita de intoxicação por metanol. A medida foi adotada após casos de vítimas que ingeriram bebidas adulteradas em São Paulo virem à tona nas últimas semanas.
O órgão busca reforçar a vigilância e a resposta a casos suspeitos, principalmente em São Paulo, que registra seis casos confirmados e 10 em investigação, incluindo três mortes.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Ministério da Saúde estabelece notificação urgente de casos de intoxicação por metanolFoto: João Risi/MS
São Paulo registra mortes e casos graves por ingestão de bebidas adulteradas com metanolFoto: Reprodução Intoxicação por metanol ascende alerta em São Paulo; mortes subiram para trêsDivulgação: Fiocruz Imagens
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O ministro enfatizou a decisão em uma reunião com jornalistas: “Essa determinação é para que possamos identificar mais rapidamente não só o que está acontecendo no estado de São Paulo, mas também possíveis intoxicações em outros estados do país, a partir de comportamentos clínicos e epidemiológicos anormais.”
Além disso, Alexandre destacou os casos registrados em São Paulo, que acendem um alerta sobre a venda e o consumo de bebidas adulteradas. “Nós estamos diante de uma situação anormal e diferente de tudo o que consta na nossa série histórica em relação à intoxicação por metanol no país. A entrada da Polícia Federal no plano se deve à suspeita de envolvimento de uma organização criminosa relacionada à adulteração de bebidas”, completou.
A secretária de vigilância em saúde e ambiente, Mariângela Simão, também se manifestou: “Para que o sistema funcione, alguém precisa notificar. É importante que os profissionais de saúde estejam em alerta e possam identificar precocemente os casos. Além disso, pessoas que tenham consumido álcool de procedência desconhecida e apresentem qualquer sintoma relacionado à intoxicação por metanol devem procurar imediatamente uma unidade de saúde”
MS publicará nota técnica com orientações sobre sinais
O Ministério da Saúde vai publicar uma nota técnica com orientações sobre sinais, sintomas e outras informações para facilitar a identificação de casos de intoxicação, além de instruções aos profissionais de saúde sobre a administração de antídotos para o metanol. A notificação pelo CIEVS será a base para as ações de resposta a casos suspeitos.
O Brasil conta com 32 Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) que oferecem apoio para diagnóstico, manejo de intoxicações, toxicovigilância e gestão de risco químico. Em São Paulo, há 9 centros disponíveis.
Ainda durante a coletiva, o ministro solicitou que gestores de saúde municipais e estaduais reforcem junto aos profissionais o protocolo de notificação de casos suspeitos de intoxicação, disponível no Guia de Vigilância em Saúde.
A Polícia Federal lidera a investigação dos casos em São Paulo, com apoio de outros órgãos de controle e vigilância, que já associam as ocorrências ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas.
Para bares, empresas e outros comércios, é recomendado que redobrem a atenção quanto à procedência dos produtos comercializados. Para os consumidores, a diretriz é evitar a compra de bebidas sem rótulo, lacre de segurança ou selo fiscal, até a conclusão das investigações.
Metanol
Entre agosto e setembro deste ano, São Paulo notificou 17 casos de intoxicação por metanol, sendo: 6 confirmados, 10 em investigação e 1 descartado. Normalmente, o Brasil registra 20 casos por ano. O metanol é altamente tóxico e pode levar à morte.
Sintomas de intoxicação
Os principais sinais e sintomas da intoxicação por metanol são: dor abdominal, visão adulterada, confusão mental e náusea, que podem aparecer entre 12h e 24h após a ingestão da substância. Se a pessoa apresentar sintomas, deve procurar imediatamente o serviço de emergência mais próximo para diagnóstico e tratamento adequados.
O profissional de saúde deve ligar para o CIATox da sua região para que o serviço de saúde faça a notificação e a investigação do caso.






