9 de julho de 2026

“Nunca foi boa mãe”, diz filho que mantinha idosa em cárcere privado

“Nunca foi boa mãe”, diz filho que mantinha idosa em cárcere privado
“Nunca foi boa mãe”, diz filho que mantinha idosa em cárcere privado

O homem preso em flagrante por manter a própria mãe, de 72 anos, em cárcere privado por 15 anos, e usar indevidamente o dinheiro da pensão dela, afirmou à Polícia Civil que a idosa “é difícil de lidar” e que “nunca foi uma boa mãe”. Apesar das justificativas, ele admitiu estar errado “por ser filho e ela, uma idosa”.

Demetrius Emerson de Farias (foto em destaque), de 49 anos, foi autuado por crime contra a pessoa idosa, com base na Lei Maria da Penha. Em depoimento, ele contou que desde 2003 administra a pensão da mãe — benefício deixado pela avó — e alegou que metade do valor era destinada ao plano de saúde da idosa, enquanto ele ficava com apenas R$ 500.

- Publicidade -
Leia também

Investigadores da Seção de Atendimento à Mulher da 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia) também ouviram uma testemunha que relatou ofensas frequentes à vítima. Segundo o depoimento, Demetrius dizia frases como: “Morre, sua velha. Não vai fazer falta aqui. Não presta pra nada”.

A mulher, que vivia sozinha e chorava com frequência, era vista com hematomas nos braços. Uma das testemunhas afirmou que um dos ferimentos ocorreu após uma discussão com o filho. Outra pessoa próxima contou que, certa vez, ao tentar retirar seis sacos de lixo acumulados na casa, Demetrius quase agrediu a mãe.

De acordo com os relatos, ele também impedia que a idosa comprasse um novo fogão ou realizasse exames oftalmológicos, mesmo após perda recente da visão. Em 2024, teria viajado ao Rio de Janeiro para assistir a um show de Madonna usando o dinheiro da mãe, deixando-a sozinha por quatro dias.

Entenda o caso:

  • A mulher nessa quinta-feira (9/10) na QR 208, em Samambaia.
  • Ela era mantida presa em um casa totalmente tomada por entulhos e em condições insalubres.
  • A vítima relatou que, além de sofrer agressões verbais, não tinha acesso à própria pensão de R$ 5 mil, que era administrada pelo filho.
  • Segundo a vítima, ele decidia como gastar o dinheiro, e ela se alimentava apenas de panetones, leite e água da torneira.

Imagens da casa: 

9 imagensUm dos quartos da casaEstado da cozinhaEstado da camaComo o fogão estavaCasa toda bagunçadaFechar modal.1 de 9

Idosa era alimentada com panetone

Reprodução / PCDF2 de 9

Um dos quartos da casa

Reprodução / PCDF3 de 9

Estado da cozinha

Reprodução / PCDF4 de 9

Estado da cama

Reprodução / PCDF5 de 9

Como o fogão estava

Reprodução / PCDF6 de 9

Casa toda bagunçada

Reprodução / PCDF7 de 9

Cama lotada de entulho

Reprodução / PCDF8 de 9

Banheiro da casa

Reprodução / PCDF9 de 9

Remédios jogados

Reprodução / PCDF

Casa cheia de entulhos

Roupas e caixas estavam espalhadas por todos os cômodos. O banheiro, a cozinha e o quarto onde a mulher de 72 anos dormia eram totalmente insalubres — com sujeira, mofo e mau cheiro. Caixas de remédios estavam jogadas sobre os móveis, e o fogão acumulava crostas de gordura.

Em meio ao lixo, dezenas de caixas de panetone chamavam a atenção — o alimento que, segundo a vítima, fazia parte da sua rotina de sobrevivência em condições degradantes.

A vítima contou aos agentes que o acúmulo de lixo durava mais de 15 anos e que os cômodos nunca eram limpos, pois o filho sofre de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC).

Veja o vídeo: