14 de julho de 2026

Federação das Religiões de Matriz Africana do Acre repudia ato de humorista na Câmara de Sena Madureira

Federação das Religiões de Matriz Africana do Acre repudia ato de humorista na Câmara de Sena Madureira

A Federação das Religiões de Matriz Africana do Acre (FEREMAAC) divulgou, nesta quarta-feira (15), uma nota de repúdio contra a encenação realizada pelo humorista Raynere Cunha, que se vestiu de pai de santo e entrou no plenário da Câmara Municipal de Sena Madureira simulando um “benzimento” durante a sessão da última terça-feira (14).

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Segundo a entidade, o ato foi uma caricatura desrespeitosa e ofensiva às tradições de matriz africana, transformando símbolos e lideranças religiosas, como o Babalorixá (Pai de Santo) e a Iyalorixá (Mãe de Santo), em objeto de piada dentro de um espaço de poder público.

No documento, a Federação classifica a ação como racismo religioso e intolerância, destacando que a apropriação de elementos das religiões afro-brasileiras para fins de humor reforça preconceitos e estereótipos negativos. A nota ainda aponta que o uso da vestimenta e a simulação de um ritual por alguém fora da tradição, com objetivo humorístico, desvaloriza e profana o significado espiritual dos ritos.

Outro ponto levantado é o desrespeito ao Estado Laico, uma vez que a Câmara Municipal, como instituição pública, não deveria permitir atos que banalizem ou vilipendiem manifestações religiosas.

A FEREMAAC exige:

  • Retratação pública por parte do humorista Raynere Cunha e, se houver, da própria Câmara Municipal de Sena Madureira, caso a ação tenha sido autorizada.

  • Adoção de medidas educativas para conscientizar a população e os agentes públicos sobre o respeito às religiões de matriz africana e o combate ao racismo religioso.

A Federação reforça que as religiões de matriz africana fazem parte do patrimônio cultural e espiritual do Brasil e que seus líderes religiosos dedicam suas vidas ao acolhimento, cura e preservação de uma rica tradição. “Nossa fé é séria, nossa tradição é ancestral e exigimos respeito”, conclui a nota assinada pelo presidente da entidade, Pai Célio Gomes.