23 fevereiro 2026

Crise do metanol completa um mês com 15 mortes e alerta para falsificação de bebidas

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Foto: Governo de SP

Um mês após o início da crise causada pela presença de metanol em bebidas alcoólicas, o Brasil soma 58 casos confirmados de intoxicação e 15 mortes — a maioria registrada em São Paulo. O primeiro alerta foi emitido em 26 de setembro, quando nove casos suspeitos foram detectados. Desde então, o governo e órgãos de saúde intensificaram as ações de investigação, testagem e fiscalização.

Origem da contaminação

As apurações apontam que o problema começou com a falsificação de bebidas alcoólicas, nas quais foi utilizado álcool combustível adulterado com metanol. A substância é altamente tóxica e pode causar cegueira e morte quando ingerida.

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, confirmou que o alerta inicial veio do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (Ciatox) de Campinas (SP). Vinte dias depois, as autoridades localizaram postos no ABC paulista que comercializavam o combustível adulterado usado na produção das bebidas falsificadas.

Desde o início da crise, hospitais de referência foram mobilizados em várias regiões do país — inclusive fora das áreas de contaminação, como nos estados do Norte e Centro-Oeste. A vigilância sanitária e as polícias intensificaram fiscalizações em bares, depósitos e distribuidoras.

No dia 7 de outubro, o governo federal criou um comitê de crise e anunciou o envio de etanol farmacêutico e do antídoto fomepizol aos hospitais. Já no dia 8, o Instituto de Criminalística de São Paulo confirmou que o metanol encontrado nas garrafas contaminadas havia sido adicionado de forma proposital. Um novo protocolo foi adotado para agilizar a detecção de bebidas adulteradas.

A crise também mobilizou universidades. Pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) desenvolveram um “nariz eletrônico”, capaz de identificar a presença de metanol a partir de uma única gota da bebida. O dispositivo utiliza inteligência artificial para reconhecer odores fora do padrão.

“O aparelho transforma aromas em dados e compara com a assinatura do cheiro da bebida original”, explicou o professor Leandro Almeida, do Centro de Informática da UFPE.

Balanço atualizado

De acordo com o último boletim divulgado no dia 24 de outubro, há 58 casos confirmados e 50 em investigação. Foram descartadas 635 notificações. Das 15 mortes confirmadas, nove ocorreram em São Paulo, seis no Paraná e seis em Pernambuco. Outros nove óbitos ainda estão sob análise — quatro em Pernambuco, dois no Paraná, um em Minas Gerais, um em Mato Grosso do Sul e um em São Paulo.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) informou que o consumo de bebidas alcoólicas caiu cerca de 5% em setembro devido ao medo da contaminação.

Investigações e medidas legais

No dia 17 de outubro, a Polícia Civil de São Paulo localizou dois postos de combustíveis que teriam fornecido o álcool adulterado e uma distribuidora onde as bebidas falsificadas eram envasadas. O delegado-geral Artur Dian afirmou que as diligências continuam para rastrear toda a cadeia de produção.

Enquanto as investigações prosseguem, o tema também chegou ao Legislativo. Uma CPI sobre a falsificação de bebidas começa nesta terça-feira (28) na Câmara Municipal de São Paulo. Já na Câmara dos Deputados, deve ser votado ainda nesta semana o projeto de lei 2307/07, que propõe transformar a adulteração de alimentos e bebidas em crime hediondo.

Informações via Agência Brasil.

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