9 de julho de 2026

Bancada bolsonarista critica omissão do governo Lula após operação no Rio

Bancada bolsonarista critica omissão do governo Lula após operação no Rio
Bancada bolsonarista critica omissão do governo Lula após operação no Rio

A operação policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que deixou 121 mortos na última terça-feira (28/10), provocou forte reação na bancada de direita da Câmara dos Deputados, especialmente entre parlamentares do Partido Liberal (PL), sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro. Procurados pela reportagem do portal LeoDias, os deputados Sanderson (PL/RS), Coronel Tadeu (PL/SP) e Zucco (PL/RS) criticaram duramente o governo Lula, a condução do Ministério da Justiça e o que consideram uma omissão federal diante da escalada da violência no estado.

O deputado Sanderson (PL/RS), que é delegado da Polícia Federal (PF), afirmou que a tragédia no Rio é resultado direto da falta de investimento e de inteligência policial no país. “O governo federal não tomou nenhuma atitude concreta até agora, só discurso eleitoreiro e narrativas que não levam a lugar nenhum. E para nós vencermos esse agigantamento das facções criminosas nós precisamos investir. Tem que ter dinheiro, tem que dar orçamento pras forças policiais, estaduais e federais que são quebradas. Tem que haver integração; não há integração alguma entre as forças federais e estaduais. As nossas fronteiras estão todas abertas”, disse.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Deputado federal Sanderson (PL/RS)Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados Deputado federal Coronel Tadeu (PL/SP)Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados Deputado federal Zucco (PL/RS)Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do BrasilFoto: Ricardo Stuckert Moradores levam corpos para praçaReprodução: Globo

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O parlamentar também responsabilizou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que, segundo ele, restringiram ações policiais em comunidades fluminenses: “Só poderia acontecer o que aconteceu: um caos, uma tragédia, facções empoderadas também a partir de uma decisão estapafúrdia e abusiva do STF que proibiu ações policiais em comunidades carentes do Rio de Janeiro. E aí, o caos está estabelecido”, declarou. Para Sanderson, a reversão desse quadro depende de coragem política e medidas por parte do Executivo: “Precisa investir e adotar medidas claras, objetivas; muitas delas inclusive duras para devolver a segurança pública no Brasil que hoje está literalmente na mão da bandidagem”.

Na mesma linha, o deputado Coronel Tadeu (PL/SP) defendeu que a operação “precisa ser reconhecida como um passo importante na retomada da ordem”. O parlamentar elogiou “o profissionalismo e a bravura” dos agentes envolvidos e afirmou que o Estado deve agir “com firmeza, mas dentro da legalidade”. Ele criticou o que considera uma postura condescendente de parte das autoridades com criminosos: “Durante muitos anos e até nos dias de hoje nós vemos autoridades tratando os criminosos como vítimas da sociedade quando, na verdade, as verdadeiras vítimas acabam sendo esquecidas por essas mesmas autoridades. É justamente o cidadão de bem, o trabalhador, a família, principalmente a família que vive cercada pelo medo. Operações como essa devolvem esperança aos moradores que querem viver em paz dentro de uma comunidade”, ponderou o parlamentar.

Já o deputado Zucco (PL/RS) classificou o episódio como “uma guerra” e acusou o governo federal de omissão e negligência. “O ministro Lewandowski precisa explicar por que a Polícia Federal ficou de fora e por que o governo Lula recusou, por três vezes, o pedido do governador Cláudio Castro para uso das Forças Armadas no apoio à segurança pública. Isso é gravíssimo”, afirmou. Segundo o parlamentar, o que definiu como “ausência da União” levanta um questionamento sobre o papel das autoridades: “Passa a impressão de que o governo prefere proteger o discurso ideológico de aliados e movimentos radicais a garantir a segurança dos brasileiros. O Rio pediu ajuda – e o governo virou as costas”.

As declarações dos três deputados reforçam a tentativa da bancada bolsonarista de nacionalizar o debate sobre segurança pública, um dos temas mais sensíveis no país. Enquanto o governo Lula argumenta que prioriza o apoio institucional e o controle do uso da força, os parlamentares da oposição apontam falta de comando, de recursos e de integração entre os entes federativos como causas diretas do agravamento da crise no Rio de Janeiro.