9 de julho de 2026

Indicação de Derrite para relatar PL Antifacção causa racha na Câmara

Indicação de Derrite para relatar PL Antifacção causa racha na Câmara
Indicação de Derrite para relatar PL Antifacção causa racha na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), mal indicou o deputado Guilherme Derrite (PL-SP) para relatar o Projeto de Lei (PL) Antifacção, e a escolha já causa divisão entre os deputados. A definição foi elogiada por parlamentares da oposição e criticada por governistas.

Horas depois de ter sido anunciado como relator, na sexta-feira (7/11), Derrite, que deixou a secretaria de Segurança de São Paulo para reassumir o cargo na Câmara e relatar o projeto, divulgou o primeiro parecer sobre a proposta.

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No relatório, o aliado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) optou por não incluir o ponto de maior debate do projeto, defendido pela direita, que desejava a fusão do texto do governo a outro projeto que equipara facções criminosas a organizações terroristas.

Ainda assim, ele propôs que ações armadas e de controle territorial promovidas por facções recebam as mesmas punições aplicadas a casos de terrorismo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão.

6 imagensGuilherme Derrite (PP)Tarcísio de Freitas, André do Prado e Guilherme Derrite durante solenidade que celebra os 93 anos da Revolução Constitucionalista de 1932Hugo Motta e LulaO presidente da Câmara, Hugo MottaO presidente da Câmara, Hugo MottaFechar modal.1 de 6

Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública do Governo de São Paulo

Fábio Vieira/Metrópoles2 de 6

Guilherme Derrite (PP)

@guilhermederrite/Instagram/Reprodução3 de 6

Tarcísio de Freitas, André do Prado e Guilherme Derrite durante solenidade que celebra os 93 anos da Revolução Constitucionalista de 1932

Ramiro Brites/Metrópoles4 de 6

Hugo Motta e Lula

BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto5 de 6

O presidente da Câmara, Hugo Motta

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto6 de 6

O presidente da Câmara, Hugo Motta

Breno Esaki/Metrópoles

Entenda o cenário

  • A escolha de Guilherme Derrite (PL-SP) para relatar o PL Antifacção provocou reações: apoio da oposição e críticas de governistas;
  • Horas após ser indicado, Derrite apresentou o primeiro parecer e descartou a fusão do texto do governo com outro projeto que equipara facções a grupos terroristas;
  • O relator propôs penas de 20 a 40 anos para ações armadas e de controle territorial promovidas por facções;
  • Gleisi Hoffmann deve liderar a articulação para preservar o texto original do Executivo, enquanto a votação deve atrasar por causa da COP30.
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Reações

A indicação de Derrite para relatar o PL Antifacção gerou reações imediatas nas redes sociais. Enquanto o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), por exemplo, manifestou desejo de sucesso ao parlamentar, dizendo que a proposta “está em boas mãos”, lideranças do PT demonstraram total aversão.

O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), disse que a escolha de Hugo Motta foi “um desrespeito com o presidente Lula”.

“O projeto de lei antifacção é uma prioridade do governo Lula e colocar nas mãos do secretário de segurança do governador Tarcísio beira uma provocação. Parece um interesse deliberado de não aprovar e de atrapalhar a tramitação da pauta prioritária do governo na área de segurança pública”, escreveu o deputado no X, antigo Twitter.

A escolha feita pelo presidente Hugo Motta é um desrespeito com o presidente Lula. O projeto de lei antifacção é uma prioridade do governo Lula e colocar nas mãos do secretário de segurança do governador Tarcísio beira uma provocação. Parece um interesse deliberado de não aprovar…

— Lindbergh Farias (@lindberghfarias) November 7, 2025

Discussão começa nesta terça

Motta pautou o início das discussões do texto no plenário para esta terça-feira (11/11). O texto não deve ser votado ainda, pois a Câmara deve estar esvaziada em virtude da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que começa nesta segunda (10/11), em Belém (PA).

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve liderar a articulação para manter o texto original do Executivo, mas o desafio promete ser longo. No parecer já apresentado, Derrite apontou “fragilidades” no texto enviado pelo governo.