23 fevereiro 2026

Torcedora do Avaí profere insultos racistas e xenofóbicos contra torcedores do Remo; MP abre investigação

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Foto: Reprodução g1

Uma torcedora do Avaí protagonizou um grave episódio de racismo e xenofobia durante o jogo contra o Remo, no último sábado (15), no estádio da Ressacada, em Florianópolis. Em vídeos que circulam nas redes sociais, a mulher é ouvida dirigindo uma série de insultos a torcedores paraenses, incluindo frases como “olha a tua cor” e “vão embora de jegue?”.

O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) confirmou a abertura de um procedimento administrativo para apurar o caso pela 29ª Promotoria de Justiça da Capital. Ofícios também foram enviados à Polícia Militar e à diretoria do Avaí para colher informações.

O Avaí Futebol Clube se manifestou por meio de nota, repudiando veementemente a conduta da torcedora. O clube afirmou que trabalha para identificá-la e, uma vez identificada, aplicar “sanções legais” e suspender seu acesso a eventos do clube por tempo indeterminado.

Nas imagens, a mulher, visivelmente agitada e rindo, dirige-se a torcedores do Remo com uma série de provocações de cunho racial, econômico e xenofóbico:

  • “Vão embora de jegue?”

  • “O que é que tem no Pará? Seu feio!”

  • “Gastou o salário para vir, agora vai embora a pé”

  • “Olha a tua cor”

  • “Pobre aqui não fica”

  • “Quer comer? Está com fome? Ali tem a comidinha de graça”

Um homem que a acompanhava também é ouvido proferindo ofensas xenofóbicas, enquanto outro torcedor parece alertá-la sobre o teor agressivo das falas.

A partida entre Avaí e Remo foi marcada por outros conflitos. Houve registro de brigas generalizadas entre as torcidas nas arquibancadas. No segundo tempo, torcedores organizados do Remo chegaram a arrombar um portão e invadir um setor ocupado por avaianos, resultando em agressões. Além disso, nas proximidades do estádio, um torcedor paraense teve o carro depredado e foi agredido por um grupo de torcedores do Avaí.

Em nota oficial, o Avaí Futebol Clube afirmou:

“O Avaí Futebol Clube reitera seu posicionamento de repúdio inequívoco e total à conduta racista e xenófoba manifestada por uma torcedora durante a partida entre Avaí x Remo. O racismo é um crime grave que não pode ser tolerado dentro ou fora dos estádios.

Por isso, queremos esclarecer à nossa torcida e à sociedade as ações que estão sendo tomadas e que reforçam nossa postura:

  • Identificação e Acompanhamento: Imediatamente após tomar conhecimento do fato, iniciamos os esforços para identificar a pessoa responsável. Estamos em colaboração com as autoridades para que as investigações sejam concluídas e as sanções legais, aplicadas.

  • Medidas Internas: Após a identificação, a torcedora terá seu acesso aos eventos do clube imediatamente suspenso por tempo indeterminado.

  • Compromisso Social: Reafirmamos nosso compromisso de promover ações e campanhas educativas para combater o racismo e todas as formas de discriminação. É nosso dever usar o alcance do futebol para construir uma sociedade mais justa e igualitária.

O Avaí Futebol Clube é um espaço de paixão e união. Atos racistas de indivíduos não representam a grandeza e os valores da nossa torcida. Não basta não ser racista, é preciso ser antirracista.”

O Clube do Remo também emitiu uma nota repudiando o ocorrido:

“O Clube do Remo vem a público repudiar o episódio de xenofobia e injúria racial sofrido por torcedores azulinos na partida de sábado (15), diante do Avaí, no estádio da Ressacada, em Florianópolis, pelo Campeonato Brasileiro da Série B.

Esse ato repugnante é uma clara manifestação de racismo e intolerância, e não pode ficar impune. O Clube do Remo não tolera qualquer forma de discriminação ou preconceito e exige a punição dos envolvidos.

O racismo e a xenofobia são crimes e precisam de uma resposta à altura da gravidade dos fatos ocorridos. É preciso, ainda, reiterar o compromisso do Clube na luta contra qualquer tipo de discriminação, sendo tais condutas incompatíveis com os valores e história do clube que se orgulha de representar a região norte e, principalmente, o estado do Pará.

A intolerância e o preconceito precisam ser combatidos, seja no esporte ou em qualquer lugar na sociedade.”

Veja:

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