9 de julho de 2026

Senadores preparam nova versão do PL Antifacção aprovado na Câmara

Senadores preparam nova versão do PL Antifacção aprovado na Câmara
Senadores preparam nova versão do PL Antifacção aprovado na Câmara

O projeto que cria um novo marco de enfrentamento ao crime organizado, apelidado pelo Planalto de “PL Antifacção”, começou a ser redesenhado no Senado Federal menos de 24 horas após ter sido aprovado pela Câmara dos Deputados. Embora a proposta tenha avançado com amplo apoio entre os deputados, técnicos do governo identificaram pontos sensíveis que, segundo eles, podem abrir margem para brechas legais e enfraquecer instrumentos de investigação.

Uma nota técnica elaborada para orientar a base governista no Senado lista dois trechos considerados centrais: a forma como a Câmara definiu o conceito de organização criminosa ultraviolenta e a redistribuição dos bens apreendidos, hoje destinados majoritariamente aos fundos nacionais de segurança.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Senado FederalDivulgação: Senado Federal Senador Alessandro Vieira (MDB/SE) é o relator da CPI do Crime Organizado no Senado FederalReprodução: YouTube/TV Senado Reunião da comissão especial que analisa a PEC da Segurança PúblicaFoto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados Palácio do PlanaltoFoto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil Plenário Câmara dos DeputadosReprodução: Câmara dos Deputados

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De acordo com a avaliação interna, a formulação adotada pelos deputados produz “confusão conceitual” e pode favorecer a defesa dos acusados. Já a alteração na destinação dos recursos apreendidos tende a reduzir a parcela destinada à Polícia Federal (PF), preocupação também compartilhada pelo Ministério da Justiça.

O texto será inicialmente analisado na Comissão de Constituição e Justiça, sob relatoria do senador Alessandro Vieira (MDB/SE). O parlamentar afirmou que pretende apresentar seu parecer até a próxima semana e, para isso, solicitou manifestações formais de todos os órgãos envolvidos, entre eles PF, Receita Federal, Ministério Público, Consesp e Ministério da Justiça.

Vieira considera o texto “adequado no mérito”, mas afirma que alguns ajustes devem ser feitos para garantir a constitucionalidade e a segurança jurídica. “Vamos verificar o formato, mas já adiantamos que não haverá nenhum tipo de redução no financiamento da Polícia Federal, que é fundamental para o Brasil”, disse.

A versão do relator na Câmara, deputado Guilherme Derrite (PP/SP), passou por diversas reescritas até ser votada. Nas primeiras versões, a proposta admitia que delatores também atuassem como infiltrados em investigações, possibilidade que acabou sendo eliminada. Foram removidos ainda dispositivos destinados a garantir sigilo para policiais infiltrados.

A tramitação na Câmara foi marcada por embates entre o governo e o grupo alinhado ao secretário de Segurança de São Paulo, Tarcísio de Freitas, com Derrite atuando como relator. O Planalto afirma que o texto aprovado enfraquece a atuação da PF e da Receita Federal, enquanto governadores e oposicionistas defendem que a versão final amplia o poder dos estados e endurece penas.

A expectativa é que, após a audiência pública prevista para a próxima semana, o relatório de Vieira seja votado na CCJ e, em seguida, em plenário. Se houver qualquer mudança, a matéria retornará à Câmara antes de seguir para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.