11 de julho de 2026

Antes do alerta de babá sobre agressões, menino Henry teve crise de choro na escola

Antes do alerta de babá sobre agressões, menino Henry teve crise de choro na escola

Às 11h30 do dia 9 de fevereiro, Monique Medeiros da Costa e Silva contou a psicóloga que fazia o acompanhamento terapêutico de Henry Borel Medeiros , de 4 anos, ter tido que buscar o filho no Colégio Marista São José, na Barra da Tijuca, onde ele estava matriculado havia uma semana, porque ele “chorou tanto”. A troca de mensagens foi recuperada no celular da professora pela Polícia Civil do Rio, consta no inquérito que apura a morte do menino e foi obtida com exclusividade por ÉPOCA.

Na conversa, Monique relatou à profissional que combinou com Henry que ele só iria para a casa dos avós maternos, em Bangu, quando o menino “fosse para a escola”, “obedecesse” e “parasse de chorar”. Em depoimento prestado na 16ª DP (Barra da Tijuca), a psicóloga disse que foi procurada pela professora, no início de fevereiro, justamente porque seu filho “não queria ficar” no apartamento que os dois dividiam com o namorado dela, o médico e vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho (sem partido), no condomínio Majestic, no Cidade Jardim.

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Depois da mensagem, a profissional elogiou a postura da mãe: “Muito bom esse seu posicionamento”, respondeu. Monique ainda enviou seis fotos de desenhos feitos por Henry durante as aulas da pré-escola. Em uma das imagens, o menino rabiscou o que seriam suas casas, tendo a professora indicado ao lado das duas figuras: “casinha do Henry e da mamãe” e “casinha de Bangu”. Em outra folha, onde a atividade era traçar a família, o menino fez alusão a ele e a mãe

Na delegacia, a psicóloga contou ter realizado cinco consultas com a criança, que demonstrava afeto pelos avós maternos e que pronunciou o nome de Jairinho somente no último encontro. Ela afirmou que, a partir da segunda sessão, passou a explorar o “espaço lúdico da criança”, brincando, desenhando e fazendo trabalho com massinhas.

A profissional disse ter identificado que o espaço da casa dos avós maternos, onde Henry já morou e frequentava, era agradável, sobretudo pela presença do avô. Ela chegou a mencionar que Monique reclamara que o menino não queria ir ao Marista São José, onde frequentou 20 dias de aula. A mulher disse ainda que Henry contou morar “um tio” em sua casa. Perguntado quem era, o menino respondeu: “Tio Jairinho”, sem deixar transparecer medo do padrasto. Logo em seguida, ele disse estar com saudades do pai.

Três dias depois da troca de mensagens com a psicóloga, Monique foi alertada, também por WhatsApp, sobre as agressões sofridas pelo filho. A babá do menino, Thayna de Oliveira Ferreira, narrou, a partir de 18h de 12 de fevereiro, que Jairinho havia se trancado no quarto com Henry e logo depois o menino relatou “chutes” e “bandas” dados pelo padrasto. No dia seguinte, o casal procurou um Hospital Real D’Or e relatou na unidade que o menino estava com dores, pois tinha “caído da cama” – o mesmo argumento usado por eles ao dar entrada no Barra D’Or com o menino já morto. Os dois, investigados por homicídio duplamente qualificado, estão presos temporariamente.