
O árbitro Fábio Santos viveu mais um choque ao enfrentar a perda do filho, o jovem árbitro Ruan Rhiler Rodrigues Santos, de 23 anos. Ele contou ao g1 que descobriu que a moto de Ruan recebeu uma multa de quase R$ 300 no mesmo dia em que o filho morreu, após uma colisão com uma caminhonete na estrada de Porto Acre, no dia 8 de novembro.
De acordo com Fábio, a multa — no valor de R$ 293,47 e que soma sete pontos na CNH — foi aplicada porque o documento da moto estava atrasado. Ele afirma ter ficado ainda mais indignado ao perceber que o veículo que colidiu com a moto não recebeu nenhuma autuação no mesmo dia.
“É inacreditável. A caminhonete que entrou na contramão não tem nenhuma multa. Já a moto do meu filho, que estava caída na pista depois que ele morreu, aparece autuada. A gente não entende”, desabafou o pai.
O g1 informou que questionou a Polícia Militar sobre o procedimento adotado e aguarda retorno. Mesmo revoltado, Fábio disse que irá pagar a multa:
“Não quero deixar nada pendente no nome dele. Mas dói receber essa cobrança no dia em que perdi meu filho.”
Como foi o acidente
Ruan era árbitro da Federação de Futebol do Acre desde 2019 e seguia carreira ao mesmo tempo em que se preparava para se formar em Direito. Ele morreu após a moto que pilotava ser atingida por uma caminhonete na Rodovia AC-10, em Porto Acre.
Segundo o boletim do BPTran, o motorista da caminhonete, Carlos Roberto Carneiro Coutinho, teria invadido a contramão antes da batida. Ele permaneceu no local, prestou socorro e foi liberado após prestar depoimento na Delegacia de Flagrantes, como prevê a lei quando não há fuga nem omissão de socorro.O teste de bafômetro deu negativo.

Carlos é pastor da Assembleia de Deus Madureira de Porto Acre e casado com a vereadora Évila Coutinho (PP), que também estava no veículo. A defesa dele e a parlamentar negam que a caminhonete tenha cruzado para a pista contrária.
O delegado Leonardo Neves, responsável pelo caso, afirmou que as investigações continuam para esclarecer todas as circunstâncias do acidente.
Pedido por justiça
Abalado pela perda, Fábio Santos usou as redes sociais para pedir justiça e cobrar rigor na apuração da morte do filho.
“A voz do meu filho foi silenciada. Ele tinha apenas 23 anos, tantos sonhos, e estava prestes a se formar. Espero que nenhum inocente seja culpado, mas também que nenhum culpado fique de inocente”, escreveu.

O pai reforçou que acredita que a tragédia foi resultado de imprudência e disse que continuará lutando para que a morte do filho não caia na impunidade.
“Meu filho não volta mais. Mas o mínimo que espero é justiça. Por Ruan. E por todos os filhos que perderam a vida por imprudência e descaso”, concluiu.


