21 janeiro 2026

Bolsonaro tentou queimar tornozeleira e tinha plano de fuga, diz Moraes; vídeo mostra equipamento danificado

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Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou na decisão que determinou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro neste sábado (22) que o ex-presidente tentou danificar a tornozeleira eletrônica para viabilizar uma fuga. A avaliação foi feita após a Polícia Federal informar que o dispositivo apresentou sinais claros de violação durante a madrugada.

Segundo o STF, o alarme da tornozeleira disparou por volta de 0h07. Quando a equipe responsável pelo monitoramento chegou ao condomínio no Jardim Botânico, em Brasília, encontrou o equipamento queimado e com o case aberto. Bolsonaro alegou inicialmente que teria “batido o aparelho na escada”, mas a perícia constatou marcas de fogo em toda a circunferência do dispositivo, além de dano na estrutura.

Vídeo mostra Bolsonaro admitindo uso de ferro quente

Um vídeo anexado ao processo mostra Bolsonaro sendo questionado pela diretora-adjunta da Secretaria de Administração Penitenciária do DF, Rita Gaio. No diálogo, ele admite ter usado um ferro quente no equipamento:

Bolsonaro: “Meti um ferro quente aqui.”
Diretora: “Ferro de passar?”
Bolsonaro: “Não. Ferro de soldar.”

Bolsonaro ainda nega ter tentado puxar ou romper a pulseira, mas confirma ter manipulado o case do aparelho ao longo da tarde de sexta-feira (21). O equipamento danificado foi recolhido, e uma nova tornozeleira foi instalada às 1h09, após testes de funcionamento.

De acordo com Moraes, o dano ao aparelho não foi acidental e demonstra “intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga”. Para o ministro, a manobra se somou a outro fator considerado de alto risco: a vigília convocada pelo senador Flávio Bolsonaro na porta do condomínio.

A PF avaliou que a aglomeração poderia gerar tumulto suficiente para dificultar a ação policial e criar oportunidades para fuga — especialmente após a violação do monitoramento.

Defesa fala em surto; aliados tentam minimizar danos

Aliados do ex-presidente admitem que ele danificou a tornozeleira, mas afirmam que sua intenção não seria fugir. A estratégia da defesa é alegar que Bolsonaro teria agido durante um episódio de estresse, privação de sono ou sob efeito de medicamentos. Há também quem sustente que ele acreditava haver escutas dentro da tornozeleira.

Ainda assim, Moraes considerou o ato grave e concluiu que a soma dos elementos justificava a prisão preventiva.

Prisão ocorreu sem algemas e sem exposição

A prisão, pedida pela PF e autorizada pelo STF, foi cumprida por volta das 6h da manhã, como determinado por Moraes, sem algemas e sem exposição pública. Bolsonaro foi levado à Superintendência da PF no Distrito Federal, onde passou por exame de corpo de delito no Instituto Nacional de Criminalística.

A ordem não tem relação direta com a pena de 27 anos e três meses pela tentativa de golpe — ainda pendente de recursos. Trata-se de uma medida cautelar para evitar fuga, obstrução da Justiça e novas violações das regras impostas ao ex-presidente.

A violação da tornozeleira e a convocação da vigília, segundo Moraes, formaram o conjunto de evidências que levou à prisão preventiva.

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