
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou neste sábado (22) a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e afirmou que considera o episódio “uma pena”. A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa na Casa Branca, quando Trump foi questionado por um repórter sobre a detenção do aliado brasileiro.
Inicialmente, o presidente americano demonstrou surpresa e aparente desconhecimento do caso. Depois de pedir que a pergunta fosse repetida, respondeu:
“Foi isso que aconteceu? É uma pena, só acho que é uma pena.”
Trump ainda afirmou que “na noite passada conversou com o cavaleiro” mencionado na pergunta e que o encontraria em breve, sem deixar claro se se referia a Bolsonaro ou se confundiu com o presidente Lula — como já ocorreu em outras declarações recentes.
Durante encontro com Lula em Kuala Lumpur, em outubro, à margem da cúpula da ASEAN, Trump já havia elogiado Bolsonaro publicamente, apesar da condenação do ex-presidente brasileiro por tentativa de golpe.
“Me sinto muito mal pelo que aconteceu com ele. Sempre achei que ele era direto, mas passou por muita coisa”, disse Trump, na ocasião, na frente de Lula.
A reação de Trump acontece dois dias após o presidente americano revogar a tarifa adicional de 40% sobre produtos agrícolas brasileiros. A medida gerou uma disputa de narrativas no Brasil.
-
O governo Lula afirmou que a retirada das tarifas foi resultado direto da atuação diplomática brasileira e das negociações iniciadas no encontro de Kuala Lumpur.
-
Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está licenciado e mora nos EUA desde março, minimizou o papel do Itamaraty e disse que a decisão se deve a fatores internos americanos.
O decreto assinado por Trump menciona expressamente o progresso das conversas com Lula e não faz referência a Jair Bolsonaro. Para integrantes do governo federal, isso representa uma vitória diplomática brasileira.
A ministra Gleisi Hoffmann comemorou o gesto:
“Lula soube conversar com seriedade e altivez com Donald Trump. Vitória do Brasil e derrota daqueles que comemoraram o tarifaço contra o país”, disse ela, citando Jair e Eduardo Bolsonaro, além de aliados como o governador Tarcísio de Freitas.
Reação tímida e confusa
Com a prisão de Bolsonaro dominando o noticiário internacional, a declaração lacônica de Trump — marcada por surpresa e pouca clareza — reforçou a percepção de que o presidente americano ainda não havia sido informado sobre o caso. Mesmo assim, manteve a postura habitual de solidariedade pública ao aliado brasileiro, limitando-se a classificá-la como “uma pena”.






