21 janeiro 2026

Estudo mostra que jovens com obesidade já apresentam inflamação e sinais iniciais de dano cerebral

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Obesidade na juventude já apresenta sinais de inflamação e danos cerebrais, aponta estudo — Foto: Adobe Stock

Um estudo da Universidade Estadual do Arizona mostrou que adultos jovens com obesidade — entre 20 e 30 anos — já apresentam alterações biológicas que normalmente só são vistas em idosos com declínio cognitivo. Os resultados indicam que o impacto da obesidade na saúde cerebral pode começar décadas antes dos primeiros sintomas.

A pesquisa analisou amostras de sangue de cerca de 30 participantes, metade com obesidade e metade com peso considerado saudável. Os cientistas observaram níveis elevados de proteínas ligadas à inflamação crônica, alterações no fígado e aumento da cadeia leve de neurofilamento (NfL) — uma proteína liberada quando há lesão nos neurônios e frequentemente associada a doenças como Alzheimer.

Além disso, os jovens com obesidade apresentaram níveis muito mais baixos de colina, nutriente essencial para o funcionamento do fígado, controle da inflamação e manutenção da saúde do cérebro. A falta da substância foi relacionada a maior inflamação, resistência à insulina e níveis mais altos de NfL. Entre as mulheres avaliadas, essa redução da colina foi ainda mais acentuada, o que preocupa, já que elas são mais afetadas por doenças neurodegenerativas ao longo da vida.

A colina é produzida em pequenas quantidades pelo corpo e obtida principalmente pela alimentação, em alimentos como ovos, peixes, aves, feijões e vegetais crucíferos. Pesquisas citadas pelo estudo alertam que grande parte dos jovens não consome a quantidade necessária diariamente.

Os pesquisadores também destacam que medicamentos para perda de peso, como os agonistas de GLP-1, podem reduzir de forma significativa a ingestão calórica — e, com isso, o consumo de nutrientes essenciais, incluindo a colina. Isso reforça a necessidade de acompanhamento nutricional e, em alguns casos, suplementação.

O estudo comparou ainda os jovens com obesidade a idosos com Alzheimer ou comprometimento cognitivo leve. O padrão foi semelhante: baixos níveis de colina e altos níveis de NfL. Segundo os autores, isso indica que processos associados à neurodegeneração podem estar sendo ativados muito antes do surgimento dos sintomas.

Embora a pesquisa não estabeleça causa e efeito, os resultados mostram que alterações metabólicas ainda na juventude podem aumentar o risco de declínio cognitivo no futuro. Os cientistas defendem que manter uma boa saúde metabólica e níveis adequados de colina desde cedo pode ajudar a preservar o cérebro a longo prazo.

Novas pesquisas devem aprofundar como esse estresse metabólico precoce influencia o desenvolvimento de doenças neurodegenerativas e abrir caminho para estratégias preventivas.

Informações via g1.

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