30 janeiro 2026

De protagonista involuntário em 2021 a peça-chave em 2025: Andreas e a ironia do destino

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Por quatro anos, a imagem de Andreas Pereira escorregando no Centenário funcionou como uma espécie de cicatriz aberta no futebol brasileiro. O erro que definiu a final da Libertadores de 2021 entre Flamengo e Palmeiras o acompanhou em cada lembrança, provocação, e debates sobre decisões que mudam trajetórias. Agora, o mesmo jogador reaparece outra vez na final continental. Sem redenção pelo antigo clube, o meia pode, neste sábado (29/11), em Lima, ser o agente de um segundo golpe. Pelo Palmeiras, ele tem a chance de ser determinante novamente para o vice do time carioca, e transformar sua história em algo ainda mais desconfortável para o torcedor rubro-negro.

O passado em câmera lenta
Naquela noite de Montevidéu, o escorregão aos cinco minutos da prorrogação colocou Deyverson diante do gol. A derrota por 2 a 1 fez Andreas desabar no gramado e chorar no banco de reservas após ser substituído. Ele sabia que o lance o seguiria por muito tempo.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Andreas Pereira, hoje no Palmeiras, naquela ocasião jogador do Flamengo erra passe decisivo e Deyverson garante titulo para o VerdãoReprodução/x: @ge.globo Andreas Pereira acerta com PalmeirasReprodução/x Andreas PereiraRafael Ribeiro/CBF Andreas PereiraReprodução/X: @Palmeiras
Andreas Pereira, do Palmeiras, realiza treinamento em Lima, no PeruFoto: Cesar Greco/Palmeiras

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“Eu dei opção, recebi a bola e escorreguei, então o cara fez o gol. Logo após isso, foi um inferno”, disse Andreas em entrevista ao podcast FIVE. A palavra escolhida não era exagero. No retorno ao Brasil, descrito pelo próprio jogador, foi necessário trocar o ônibus por um carro blindado para evitar ataques.

Mesmo assim, parte da torcida do Flamengo tratou de acolhê-lo. Uma placa no Maracanã com a frase “Andreas, está tudo bem” virou símbolo de apoio. As provocações de rivais, no entanto, só aumentaram.

No início de 2022, em Conselheiro Galvão, Andreas caiu nas provocações do Madureira, recebeu cartão e foi substituído ainda no primeiro tempo. Sua passagem terminou com um gol contra o Tolima, mas a diretoria, dividida, optou por não pagar os 10 milhões de euros ao Manchester United. Entre os que se opuseram à compra estava Luiz Eduardo Baptista, hoje presidente, e sua decisão ainda é lembrada às vésperas da nova final.

O tempo não apaga, mas reorganiza
No Fulham, Andreas reencontrou serenidade. Virou titular, retomou confiança, foi convocado para a Seleção e marcou seu primeiro gol pelo Brasil contra o México. Em seguida, balançou a rede novamente contra o Peru. Jogando na Inglaterra, longe da pressão cotidiana brasileira, reconstruiu sua carreira de forma gradual.

Até que, em agosto de 2025, o Palmeiras apareceu como destino. A contratação de 10 milhões de euros trouxe Andreas de volta ao país, dessa vez com a camisa que um dia comemorou seu erro. O jogador afirmou: “Para este momento da minha carreira, o melhor era o Palmeiras.” Estreou bem, deu assistência contra o River Plate, marcou dois gols no jogo seguinte e se tornou peça essencial na equipe de Abel Ferreira.

Não há reencontro sem memória
O novo cenário não eliminou os antigos ruídos. No reencontro com o Flamengo pelo Brasileirão, Andreas foi vaiado a cada toque na bola, errou uma cobrança de falta ao escorregar e virou alvo de gargalhadas no Maracanã. Foi substituído, mas manteve o protagonismo na campanha palmeirense. Agora, a final em Lima coloca todas as peças sobre a mesa de novo.

Do lado rubro-negro, a história ganha contornos extras. Torcedores levaram máscaras provocando o jogador para Lima, com referências ao erro de 2021. Entre eles, um cartaz chamava Andreas de entregador de paçoca. Para alguns flamenguistas, vencer a final seria também um ajuste de contas com um capítulo mal resolvido.

O futebol cobra, mas também devolve
Andreas chega à final de 2025 como titular absoluto do Palmeiras e como engrenagem central do sistema de Abel Ferreira. Se repetir o impacto que teve nos últimos meses, pode ser determinante no ritmo da partida e no controle do meio-campo. Do outro lado, o Flamengo vê nele o personagem que pode reabrir feridas antigas ou ajudar a fechá-las de vez.

Nesta tarde, em Lima, o jogador de 29 anos enfrenta a partida mais significativa desde o erro que marcou sua carreira. Não é sobre apagar o passado. Não é sobre reescrever o que já aconteceu. É sobre o ponto exato onde tudo começou e voltou a terminar. No futebol, o destino raramente dá segunda chance. Quando dá, quase sempre muda o lado da camisa.

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