9 de julho de 2026

Defesa de Juliana Oliveira critica arquivamento de inquérito contra Otávio Mesquita

Defesa de Juliana Oliveira critica arquivamento de inquérito contra Otávio Mesquita
Defesa de Juliana Oliveira critica arquivamento de inquérito contra Otávio Mesquita

A defesa de Juliana Oliveira, ex-assistente de palco do programa “The Noite com Danilo Gentili” (SBT), divulgou uma nota oficial criticando o arquivamento do inquérito em que ela acusava o apresentador Otávio Mesquita de estupro. A decisão, tomada pelo Ministério Público de São Paulo e formalizada em 12 de novembro, encerra definitivamente a investigação criminal.

No comunicado, os advogados de Juliana afirmam que o MP tratou o principal elemento apresentado pela acusação como algo “insignificante, irrelevante, banal e insuficiente” para dar início a uma ação penal. A prova era um vídeo com imagens que, segundo a defesa, mostrariam agressões sexuais e uma confissão de Mesquita. Para os representantes da ex-assistente, a decisão reflete uma postura recorrente de desvalorização das denúncias feitas por mulheres negras.

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Veja as fotosAbrir em tela cheia Juliana OliveiraDivulgação: SBT Otávio Mesquita se emociona no velório de Francisco CuocoFoto: Natalia Rampinelli/Agnews Um dos momentos que resultou na acusação, em entrevista realizada no programa do dia 25 de abril de 2016Reprodução: YouTube/The Noite com Danilo Gentili Um dos momentos que resultou na acusação, em entrevista realizada no programa do dia 25 de abril de 2016Reprodução: YouTube/The Noite com Danilo Gentili Juliana Oliveira e Otávio MesquitaReprodução: Instagram

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O texto também acusa o Ministério Público de agir com base em “ideologias raciais e patriarcais” e afirma que não surpreende que o órgão tenha considerado irrelevante “uma cena pública de estupro”, apontando que vítimas negras seriam frequentemente tratadas como objetos e submetidas a abusos sem a devida resposta estatal. A nota ainda menciona precedentes citados pela Corte Interamericana de Direitos Humanos para reforçar a alegação de que setores do sistema de Justiça tratariam de maneira desigual casos envolvendo pessoas negras.

Apesar do arquivamento, a equipe jurídica de Juliana afirma que continuará buscando meios legais para reverter a decisão, recorrendo às instâncias superiores do Judiciário. “Estamos seguros de que as instâncias superiores do Poder Judiciário irão apreciar o caso com base nos fatos e provas”, dizem os advogados, indicando que pretendem utilizar todos os recursos permitidos para impedir que o caso seja “engavetado”. Enquanto a defesa reforça que seguirá lutando para reabrir as investigações, a decisão do MPSP encerra, por enquanto, o processo criminal contra Otávio Mesquita.

O jornalista, que não havia se pronunciado desde o início do caso, falou pela primeira vez sobre o assunto em entrevista à repórter Patrícia Calderón, do portal LeoDias. Ele disse estar aliviado com o desfecho e afirmou confiar na Justiça. “Até digo a todos, ao longo dos meus 40 anos de televisão, por ter sido uma pessoa muito correta, ética e sempre de bom humor, eu nunca tive nenhum processo de trabalho, pessoal, enfim, nada”, relatou.

O processo continua mantido, e a polêmica promete seguir repercutindo dentro e fora do meio jurídico, especialmente diante das acusações de racismo institucional feitas pela defesa de Juliana Oliveira

Leia a nota do advogado de Juliana Oliveira:
“A defesa de Juliana Oliveira deplora o fato de que um vídeo contendo imagens explícitas e reiteradas de agressões sexuais, incluindo confissão expressa do agressor, seja considerado pelo Ministério Público como algo insignificante, irrelevante, banal e insuficiente para dar início à instrução processual penal, instância competente para apuração e julgamento do ocorrido. Lamentavelmente, não nos surpreende que o Ministério Público paulista considere irrelevante uma cena pública de estupro, uma vez que a vítima, uma mulher negra, é frequentemente tratada como mero objeto sexual, sujeita a toda sorte de ultraje, aviltamento e abuso”, escreveu Hédio Silva Jr.

“Estamos seguros de que as instâncias superiores do Poder Judiciário irão apreciar o caso com base nos fatos e provas, e que Juliana Oliveira terá oportunidade de ver sua demanda examinada com isenção, equidistância e técnica jurídica, e não com base em ideologias raciais e patriarcais. Juliana Oliveira utilizará todos os recursos que a lei lhe assegura para que seu caso não ingresse na infame galeria de conivência de setores do Ministério Público com o racismo: tão zelosos para condenar negros quanto para arquivar investigações nas quais negros figuram como vítimas, conforme reconhecido mais de uma vez pela Corte Interamericana de Direitos Humanos”, finalizou o profissional.