O Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) da Venezuela determinou no sábado (3) que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente os poderes do presidente Nicolás Maduro, capturado pelos Estados Unidos após ataques militares a Caracas.
Na decisão, o tribunal estabeleceu que Rodríguez deve exercer “o cargo de Presidente da República Bolivariana da Venezuela, com o objetivo de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”. O TSJ informou ainda que irá analisar o caso para definir o marco jurídico aplicável, a fim de assegurar a continuidade do Estado, a administração do governo e a defesa da soberania nacional diante da “ausência forçada” do chefe do Executivo.
Logo após a captura de Maduro, Delcy Rodríguez convocou ministros e a população venezuelana a resistirem a qualquer tipo de intervenção dos Estados Unidos no país. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, ela pediu calma e afirmou que a Venezuela “nunca será colônia de nenhuma nação”.
Durante o discurso, Rodríguez reforçou que Nicolás Maduro continua sendo o único presidente legítimo do país e classificou a ação norte-americana como um “sequestro”. A declaração foi feita em Caracas, ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidente, além do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa.
Após meses de especulações e movimentações militares próximas à costa venezuelana, os Estados Unidos realizaram ataques a diversos pontos da capital, culminando na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, que teriam sido levados para Nova York em um navio de guerra norte-americano.
“A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro”, afirmou Delcy Rodríguez.
A declaração ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que Washington pretende assumir interinamente o controle do país até a realização de uma transição política. Segundo Trump, a administração norte-americana formará um grupo de gestão temporária, composto por membros do alto escalão de seu governo, embora não tenha detalhado como nem quando isso ocorrerá.
“Nós vamos administrar o país até que haja uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, disse Trump em pronunciamento feito em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.
O presidente norte-americano afirmou ainda que o grupo não incluirá a líder da oposição María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, alegando que ela “não tem apoio interno nem respeito suficientes para governar”. Trump também declarou que o secretário de Estado, Marco Rubio, mantém diálogo com Delcy Rodríguez, que estaria disposta a cooperar.
Em seu discurso, Trump citou a Doutrina Monroe, política histórica dos Estados Unidos para a América Latina, e afirmou que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.







