
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (9) que a libertação de prisioneiros políticos na Venezuela representa “um sinal de paz” por parte do novo governo do país. Segundo ele, a cooperação da gestão liderada pela presidente interina Delcy Rodríguez foi decisiva para o cancelamento de uma segunda onda de ataques militares que estava prevista contra o território venezuelano.
De acordo com Trump, a primeira ofensiva ocorreu no último fim de semana, quando forças militares dos EUA entraram em Caracas em uma operação pontual que resultou na prisão do então presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Segundo o governo venezuelano, cerca de 100 pessoas morreram durante a ação.
Em publicação nas redes sociais, Trump elogiou a decisão do governo interino de libertar presos políticos. “A Venezuela está libertando um grande número de presos políticos como um sinal de que está buscando a paz. Este é um gesto muito importante e inteligente”, afirmou. Ele também destacou que Estados Unidos e Venezuela estariam cooperando, principalmente na reconstrução da infraestrutura de petróleo e gás do país sul-americano.
Ainda segundo o presidente americano, essa postura levou ao cancelamento da segunda fase dos ataques. “Em razão dessa cooperação, cancelei a segunda onda de ataques que estava prevista, porque, ao que tudo indica, ela não será necessária. No entanto, todos os navios permanecerão posicionados por motivos de segurança”, completou.
A libertação dos prisioneiros foi anunciada na quinta-feira (8) pelo presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, que classificou a medida como um gesto unilateral de boa vontade do novo governo. Ele afirmou que a decisão envolve um “número significativo de venezuelanos e estrangeiros” detidos durante o regime de Maduro.
Entre os libertados estão nomes de destaque da oposição, como a ativista venezuelana-espanhola Rocío San Miguel, presa desde fevereiro de 2024, e o ex-candidato à Presidência Enrique Márquez, detido desde o início de 2025. Rocío estava encarcerada no Helicoide, prisão do serviço de inteligência venezuelano frequentemente denunciada por organizações de direitos humanos como um centro de tortura. Sua libertação foi confirmada pelo governo da Espanha.
Jorge Rodríguez, que é irmão da presidente Delcy Rodríguez, agradeceu publicamente a atuação de líderes e governos internacionais, como o ex-primeiro-ministro da Espanha José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e o governo do Qatar. Segundo ele, todos teriam contribuído para defender “o direito do povo venezuelano à vida plena e à autodeterminação”. Até o momento, não há confirmação oficial sobre a participação direta do governo brasileiro nas negociações.
Trump também afirmou que a indústria petrolífera deverá investir pelo menos US$ 100 bilhões — cerca de R$ 540 bilhões — na Venezuela nos próximos anos e disse que se reunirá com executivos do setor na Casa Branca ainda nesta sexta-feira.
Por fim, o presidente dos EUA voltou a mencionar que pretende iniciar “em breve” operações terrestres contra cartéis de drogas, sem detalhar onde ou contra quais grupos. Ele voltou a criticar a situação no México, afirmando que os cartéis estariam controlando o país, o que classificou como “muito triste”.






