
O desenvolvimento da agricultura familiar no Vale do Juruá deu um passo decisivo rumo à ciência e tecnologia nesta sexta-feira, 9. A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Instituto Federal do Acre (IFAC) oficializaram um convênio para a implantação de um moderno Laboratório de Análises de Solos e Tecido Vegetal no Campus Cruzeiro do Sul.
O acordo prevê um aporte de R$ 505 mil da ABDI para a aquisição de equipamentos de alta precisão, como espectrofotômetros de chamas. A estrutura preenche uma lacuna histórica na região: até então, produtores precisavam enviar amostras de terra para outros estados ou para a capital, encarecendo o processo e atrasando o plantio.
O projeto tem como meta realizar 10 mil análises de solo nos próximos quatro anos. A abrangência será regional, atendendo não apenas os municípios acreanos do Juruá, mas também produtores de Guajará e Ipixuna, no estado do Amazonas.
Do solo à indústria
Para a diretora de Economia Sustentável e Industrialização da ABDI, Perpétua Almeida, o laboratório é o “alicerce” da estratégia de industrialização que a Agência vem promovendo na região.
“O Governo Federal, através da ABDI, está modernizando a produção rural no Acre. O que estamos fazendo na região do Juruá é trazer a agricultura 4.0 para ajudar as famílias a se modernizarem, preservando o meio ambiente ao mesmo tempo. É um trabalho pioneiro que foca na formação de profissionais em agricultura de precisão para melhorar a produção de toda a região”, destacou Perpétua.
A parceria também fortalece o papel do IFAC como polo de tecnologia e suporte à comunidade.
“Estamos trazendo para o nosso campus em Cruzeiro do Sul um investimento estratégico em parceria com a ABDI. O laboratório de análise de solos vai atender diretamente os produtores da região do Juruá que buscam modernizar sua produção. É a instituição cumprindo seu papel de atender a sociedade e gerar desenvolvimento para a nossa comunidade”, afirmou o reitor da Instituição, Fábio Storch.
Impacto na ponta

O laboratório funcionará como um centro de diagnóstico. Com a análise correta, considerada o “exame de sangue” da terra, o agricultor saberá exatamente qual nutriente falta, evitando desperdício de adubo e garantindo colheitas maiores. O diretor do campus, Raelisson Walter, reforça que a iniciativa resolverá um gargalo logístico que persistia há décadas.
“Através do convênio com a ABDI, teremos estrutura e insumos para realizar até 10 mil amostras ao longo de quatro anos. Hoje, o custo para o produtor enviar solo para análise fora do estado é muito alto e dispendioso. Ao realizarmos isso aqui, reduzimos custos e resolvemos um problema logístico. Além de apoiar a comunidade, o laboratório cumpre o papel do Instituto Federal ao formar técnicos qualificados que já sairão para o mercado dominando essa tecnologia”, detalhou.
O prefeito de Cruzeiro do Sul, Zequinha Lima, afirmou que a iniciativa vai transformar a vida dos pequenos produtores da região.
“Sempre sonhamos com um laboratório de solos aqui na nossa região. Para o pequeno produtor, o custo e a dificuldade logística de realizar essa análise fora do Acre eram barreiras imensas. Agora, com essa estrutura instalada, estamos dando condições para que o agricultor conheça sua terra, melhore sua produtividade e reduza gastos. É um investimento que valoriza diretamente quem mais precisa”.
Este é o segundo grande projeto da ABDI com o IFAC. Em Rio Branco, no Campus Baixada do Sol, também está em implantação o Laboratório Agro 4.0, criando uma rede estadual de inteligência agrícola.






