A dramaturgia brasileira se despede de um de seus maiores cronistas, mas o legado de Manoel Carlos permanece vivo na memória de quem deu voz aos seus textos. Após a morte do autor aos 92 anos, confirmada no último sábado (10/1), a atriz Susana Vieira concedeu uma entrevista emocionada à GloboNews, onde analisou a genialidade e a coragem do novelista, carinhosamente chamado de Maneco nos bastidores.
Na conversa, a veterana relembrou com carinho a parceria que gerou um dos maiores ícones da TV: a vilã Branca Letícia de Barros Mota, de “Por Amor”. A atriz creditou ao autor o fato de ter se tornado uma “lenda” na internet, mas fez uma análise crítica sobre como os tempos mudaram.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Atriz Susana Vieira como a personagem Branca de “Por Amor”, novela da GloboCrédito: Globo/Fábio Rocha O autor Manoel CarlosTV GLOBO / Cristiana Isidoro Susana VieiraFoto: Globo/Manoella Mello
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“Manoel Carlos me lembra felicidade, amor e que eu virei um meme graças a Branca, porque as frases dela eram absurdas”, disse Susana. A estrela destacou que a liberdade criativa daquela época permitia diálogos que, atualmente, seriam barrados. “Ela falava coisas que hoje não são politicamente corretas… só que antigamente a gente podia falar e hoje a gente não poderia”, pontuou.
Para ela, as falas polêmicas de seus personagens não eram gratuitas, mas sim uma ferramenta afiada de Maneco para expor as hipocrisias da classe média. Ela revelou um detalhe curioso sobre a formação do escritor: o fato de ele ter estudado em um seminário influenciou seu olhar crítico sobre a família e a religião.
“A crítica toda ele botava sempre na minha boca ou na boca de algum personagem. (…) Graças a Deus a gente teve a felicidade de conhecer o seu texto”, celebrou a atriz, que finalizou exaltando o lado humano do amigo, lembrando de sua “casa sempre aberta” e de seu “abraço querido”.






