A lista de participantes do Camarote do “Big Brother Brasil 26” escancara um dilema que a produção do programa vem empurrando com a barriga há anos: o modelo de famosos simplesmente se esgotou.
Não se trata apenas de gosto pessoal ou de “elenco fraco”. O problema é estrutural. O BBB se transformou num reality de exposição extrema, onde cada frase vira julgamento moral, cada erro vira campanha de cancelamento e cada gesto é eternizado em recortes fora de contexto. Para quem já tem uma carreira, um nome minimamente consolidado ou contratos em andamento, o risco é enorme — e o retorno, cada vez menor.
O resultado está aí: subcelebridades, nomes pouco relevantes, figuras que mal justificam o rótulo de “camarote”. Pessoas que entram mais pelo alcance residual nas redes do que por qualquer peso artístico ou popular real. Não são grandes estrelas. E também não são jogadores famintos pelo prêmio.
Famosos de verdade têm muito a perder. Têm imagem, contratos, público segmentado, patrocinadores atentos. Entrar num confinamento de meses, com câmeras 24 horas ligadas, virou um negócio pouco atraente. Hoje, quem aceita esse convite geralmente está em queda de relevância, em busca de reposicionamento ou sem muito a proteger.
Enquanto isso, o jogo perde força.
O BBB sempre funcionou melhor quando o elenco precisava estar ali. Quando o prêmio mudava vidas. Quando o confinamento era uma aposta desesperada, não uma vitrine calculada. Anônimos com contas atrasadas, nome no SPC, problemas reais e fome de vitória entregam o que o programa pede: conflito, emoção, risco e entrega total.
Não é coincidência que alguns dos maiores momentos da história do reality tenham vindo justamente de participantes sem carreira a zelar. Pessoas dispostas a errar, exagerar, bater de frente, jogar sujo se fosse preciso — porque o jogo era tudo o que elas tinham.
Hoje, o camarote virou um meio-termo estranho: nem estrela, nem jogador raiz. Entra com medo, joga defensivamente, administra imagem, pede desculpa antes mesmo de errar. É um elenco que passa pelo programa, mas não move o jogo.
Talvez esteja na hora de o BBB admitir o óbvio: a fase dos famosos passou. Ou, no mínimo, precisa ser repensada com muita coragem. O público não quer ver quem está protegendo currículo. Quer ver quem está disposto a se expor, a perder e a ganhar tudo ali dentro.
No fim das contas, o Big Brother nunca foi sobre fama. Sempre foi sobre sobrevivência — emocional, social e, muitas vezes, financeira. E isso, definitivamente, não combina com camarote fraco.






