
O governo do Acre comemorou a assinatura do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia como uma oportunidade histórica para ampliar a presença dos produtos acreanos no mercado internacional. O tratado foi firmado no último sábado (17), em Assunção, no Paraguai, após 26 anos de negociações, e prevê a redução das tarifas de importação para zero ou, em média, até 5%, facilitando o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o acordo une dois dos maiores blocos econômicos do mundo, que juntos somam cerca de 720 milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões. Para o Acre, que já mantém relações comerciais com países da Europa, o novo cenário é visto como estratégico para impulsionar a economia local.
Dados do MDIC mostram que, em 2025, as exportações do Acre alcançaram aproximadamente US$ 11 milhões, com vendas destinadas a países como Espanha, Itália, França, Alemanha, Portugal, Holanda, Bélgica e Reino Unido. A Secretaria de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia (Seict) avalia que o acordo tende a ampliar esse fluxo, abrir portas para novos mercados e incluir mais produtos na pauta de exportações do estado.
Entre os principais itens com potencial de crescimento estão a castanha-do-brasil, o café, as carnes bovina e suína e a madeira oriunda de manejo florestal sustentável. Com a redução das tarifas e maior facilidade de acesso ao mercado europeu, esses produtos ganham competitividade, fortalecem as cadeias produtivas locais e estimulam o processamento industrial, agregando valor à produção acreana.
Outro setor apontado como promissor é o da bioeconomia. O mercado europeu tem uma demanda crescente por produtos sustentáveis e com comprovação ambiental, como óleos vegetais, extratos naturais e insumos utilizados pelas indústrias cosmética, farmacêutica e alimentícia. Segundo o governo estadual, o acordo cria um ambiente favorável para que o Acre amplie sua atuação nesse segmento, alinhando desenvolvimento econômico à preservação ambiental.

Para o secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia, Assurbanípal Mesquita, o momento exige planejamento e organização. Ele destaca que o acordo vai além da abertura de mercados e impõe desafios importantes. “É preciso qualificar a produção, adequar-se aos padrões internacionais e estruturar melhor as cadeias produtivas. O Acre precisa se preparar para competir em um dos mercados mais exigentes do mundo”, afirmou.
O secretário também ressaltou que os benefícios não se limitam ao setor empresarial. Segundo ele, o aumento das exportações pode gerar mais empregos, renda tanto no campo quanto nas cidades, fortalecer cooperativas e incentivar a industrialização no estado. “Isso reflete diretamente na vida da população, com mais oportunidades de trabalho e desenvolvimento regional”, pontuou.
Apesar do entusiasmo, o governo do Acre lembra que a implementação do acordo será gradual. O período de transição será fundamental para que o estado se organize, busque novos parceiros comerciais e fortaleça suas cadeias produtivas. A expectativa é que, com planejamento e apoio técnico, o acordo Mercosul-União Europeia se transforme em resultados concretos para a economia acreana e em melhores perspectivas de vida para a população.






