29 janeiro 2026

Desistência, documentos e versão oficial: FPF explica como o Parazão escapou de paralisação

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A desistência do Independente de Tucuruí da ação judicial que ameaçava o início do Campeonato Paraense de 2026 foi confirmada por documentos obtidos com exclusividade pelo LeoDias Esportes, mas a Federação Paraense de Futebol nega que o desfecho tenha envolvido qualquer acordo entre as partes. Em declaração à reportagem, o presidente da FPF, Ricardo Gluck Paul, afirmou que o encerramento do impasse ocorreu por meio de diálogo institucional e avaliação jurídica, e sustentou que a competição nunca esteve sob risco real de paralisação, apesar da decisão da Justiça comum que havia anulado um julgamento do STJD.

A desistência ocorreu após dias de instabilidade fora de campo, provocados pela anulação, na Justiça comum, de um julgamento do Pleno do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que havia confirmado o rebaixamento do Independente no Campeonato Paraense de 2025. A decisão judicial recolocou o caso em aberto às vésperas do início do estadual, reacendendo disputas esportivas já consideradas encerradas no âmbito da Justiça Desportiva.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Ricardo Gluck Paul, presidente da FPF e vice-presidente da CBFRicardo Gluck Paul, presidente da FPF e vice-presidente da CBF/Reprodução/CBF Claudio Vagner, presidente do Bragantino do ParáReprodução

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Com a retirada da ação, o Parazão foi iniciado normalmente no último fim de semana, encerrando o principal foco de insegurança jurídica da competição.

O que mostram os documentos do processo
As peças às quais a reportagem teve acesso confirmam que o Independente protocolou a desistência da ação judicial e do pedido de suspensão do campeonato, ato realizado de forma conjunta com a FPF. No mesmo movimento, houve a revogação da procuração do advogado que conduzia o processo e a entrada de um novo patrono, responsável por formalizar a retirada da demanda.

A documentação analisada indica que a desistência foi suficiente para encerrar os efeitos práticos da decisão da Justiça comum que havia anulado o julgamento do STJD, retirando do cenário imediato qualquer risco de paralisação do Campeonato Paraense.

Federação nega acordo e fala em mediação
Procurado pelo LeoDias Esportes, o presidente da Federação Paraense de Futebol, Ricardo Gluck Paul, negou que tenha havido acordo entre a entidade e o Independente para a retirada da ação. Segundo ele, o desfecho foi resultado de diálogo institucional e de avaliações jurídicas apresentadas ao clube.

“Não houve acordo, não há acordo. Não foi feito um acordo com o Independente. O que existiu foi diálogo, mediação e convencimento sobre caminhos que entendíamos, em conjunto, que precisavam ser tomados”, afirmou.

Gluck também afirmou que, internamente, a federação nunca considerou concreta a possibilidade de paralisação do Parazão, mesmo após a decisão da Justiça comum que anulou o julgamento do STJD.

“Em nenhum momento a federação trabalhou com a possibilidade de paralisação da competição. Pela nossa análise jurídica, aquela decisão tinha falhas insanáveis. Um exemplo é que a CBF não foi citada no processo, sendo que o STJD é um órgão da CBF. Isso, por si só, já anularia a decisão”, explicou.

Segundo o presidente, a própria magistrada responsável pela sentença teria reconhecido a existência de prazos recursais e a possibilidade de reversão da decisão.

Crítica à ida precoce à Justiça comum
Nos áudios enviados à reportagem, Ricardo Gluck também fez críticas à estratégia jurídica adotada pelo Independente ao acionar a Justiça comum antes do esgotamento das instâncias da Justiça Desportiva.

“A escolha da Justiça comum é muito dura. Os estatutos da CBF e da Fifa proíbem esse caminho sem o esgotamento da esfera esportiva. O advogado do Independente pulou etapas, e isso poderia trazer consequências gravíssimas ao clube”, disse.

De acordo com Gluck, ainda cabiam recursos dentro do próprio STJD e, posteriormente, no Tribunal Arbitral do Esporte (CAS), o que, na avaliação da federação, tornava prematura a judicialização fora do sistema esportivo.

Exclusivas, bastidores e desfecho
A desistência do Independente encerra um dos episódios mais sensíveis do futebol paraense nos últimos anos, que envolveu clubes, tribunais esportivos, a Justiça comum e colocou em xeque o calendário estadual às vésperas do início da competição.

Como mostrou o LeoDias Esportes em reportagens exclusivas anteriores, a anulação de um julgamento do Pleno do STJD por decisão da Justiça comum é considerada rara no futebol brasileiro e gerou apreensão nos bastidores, com temor de efeitos em cadeia sobre competições nacionais em 2026 e 2027.

Com a retirada formal da ação, o Campeonato Paraense teve sua largada preservada. O mérito esportivo do caso, no entanto, segue restrito às instâncias próprias da Justiça Desportiva.

O LeoDias Esportes mantém espaço aberto para manifestações do Independente de Tucuruí, do STJD e de quaisquer outras partes citadas.

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